"Situação catastrófica". Reconstrução de hospitais em Gaza vai custar seis mil milhões de euros

"Não há hospitais em pleno funcionamento em Gaza e apenas 14 dos 36 estão em funcionamento", alerta OMS
Foto: Omar Al-Qattaa / AFP
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou esta quinta-feira que a reconstrução do sistema de saúde de Gaza custará mais de 6.000 milhões de euros, sublinhando que a situação de fome não melhorou depois do cessar-fogo.
"Não há hospitais em pleno funcionamento em Gaza e apenas 14 dos 36 estão em funcionamento. Há uma grave escassez de medicamentos essenciais, equipamentos e profissionais de saúde", avançou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, aos jornalistas, alertando que "o custo total da reconstrução do sistema de saúde de Gaza será de pelo menos sete mil milhões de dólares" (cerca de seis mil milhões de euros).
O valor representa quase um sexto do total avançado, há duas semanas, pelo subsecretário-geral da ONU, Jorge Moreira da Silva, necessário para reconstruir a Faixa de Gaza, destruída pela operação israelita.
Tedros Adhanom Ghebreyesus avisou ainda que a ajuda humanitária que chega à Faixa de Gaza "é insuficiente" e não levou a uma melhoria da situação no território palestiniano, assolado pela fome.
"A fome continua presente porque não há alimentos suficientes" a entrar na Faixa de Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor, a 10 de outubro, e "a situação mantém-se catastrófica", sublinhou o responsável da OMS
Tedros observou que apenas 200 a 300 camiões de ajuda entram diariamente em Gaza, muito abaixo dos 600 necessários e acordados, e salientou que muitos deles são remessas comerciais. "Muitas pessoas não têm condições para comprar nada", alertou.
A guerra em Gaza já dura há mais de dois anos, tendo sido iniciada a 7 de outubro de 2023, quando o Hamas liderou um ataque inédito em solo israelita, fazendo cerca de 1200 mortos e 250 reféns.
Israel respondeu com todas as suas forças, prometendo destruir o Hamas, e tem bombardeado Gaza quase ininterruptamente o território palestiniano.
A retaliação de Israel provocou mais de 67 mil mortos e cerca de 170 mil feridos, a maioria dos quais civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza (tutelado pelo Hamas), que a ONU considera credíveis.
A ofensiva israelita também destruiu quase todas as infraestruturas de Gaza e provocou a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.
Israel também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 400 pessoas já morreram de desnutrição e fome, a maioria das quais crianças.
Esse bloqueio teve "consequências catastróficas" para a população na Faixa de Gaza, como concluiu na quarta-feira o Tribunal Internacional de Justiça.
Apesar de o parecer deste tribunal não ser juridicamente vinculativo, a instância ordenou a Israel que satisfaça as "necessidades básicas" da população de Gaza, incluindo fornecer-lhe tudo o que precisa para sobreviver, e avisou o Governo israelita de que não pode recorrer à fome como "método de guerra".
