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Diamantes russos: boicotes e demissões na indústria da joalharia

Diamantes russos: boicotes e demissões na indústria da joalharia

Grandes marcas de joalharia estão a deixar de usar diamantes russos. Monopólio controlado pela Rússia pode financiar a guerra de Putin contra a Ucrânia.

Marcas como a americana Tiffany & Co, a suíça Chopard ou a Pandora, a maior joalharia do Mundo, emitiram comunicados, anunciando que vão suspender a compra de diamantes russos. As decisões surgiram depois de notícias terem dado a conhecer que, apesar das sanções do Ocidente, as joalharias conseguiriam legalmente contorná-las se comprassem as pedras na Índia.

A Rússia produz cerca de 30% dos diamantes do Mundo, sendo que, destes, 98% são extraídos e vendidos pela Alrosa, um enorme monopólio de mineração com laços estreitos com o Kremlin. Um terço da Alrosa pertence ao Governo central e outro terço aos governos regionais - a república russa de Yakutia e as suas administrações. Em 2021, a empresa anunciou vendas de 3,75 mil milhões de euros, resultando um lucro líquido de cerca de 850 milhões de euros.

Tanto os EUA como o Reino Unido impuseram sanções que proíbem as empresas de fazer negócios diretos com a Alrosa. No entanto, isto não impede o fluxo de diamantes russos para o Ocidente, uma vez que a grande maioria é exportada em bruto para a Índia, onde são lapidados e polidos. De acordo com as regras alfandegárias dos EUA, isto é considerado uma "transformação significativa", de modo que os diamantes lapidados podem ser importados legalmente como um produto indiano, não russo.

Demissões contra o silêncio na indústria

O Conselho de Joalharia Responsável (RJC) - um dos principais reguladores da joalharia - foi criado para ajudar a regular o setor, melhorar a sua reputação, promover o fornecimento responsável e eliminar "diamantes de conflito" das cadeias de suprimentos. A Alrosa é membro e mantém a sua certificação "responsável".

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Agora, o RJC enfrenta uma vaga de saídas. As marcas que anunciaram que vão suspender a compra de diamantes russos incluem a Pandora, Richemont, proprietária da Cartier, e a Kering, proprietária de marcas de alta moda, como Gucci e Saint Laurent.

Representantes da Pandora disseram que a empresa vai deixar o conselho depois de 12 anos como membro devido ao seu "fracasso em suspender associações de empresas russas e certificações de negócios responsáveis ​​e em instar os membros a suspender negócios com a Rússia". Já a Richemont afirmou não querer ser membro de uma "organização do setor que inclui empresas que contribuem para o financiamento de conflitos e guerras". Por sua vez, a Kering considerou que a marca "não quer ser associada de forma alguma a práticas de negócios que contribuam para o endosso da guerra".

Na quarta-feira, a diretora executiva da RJC, Iris Van der Veken, renunciou ao cargo, mas não quis fazer comentários.

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