Guerra na Ucrânia

Empresa Enercon recusa carregamento a navio russo que fica fundeado em Viana do Castelo

Empresa Enercon recusa carregamento a navio russo que fica fundeado em Viana do Castelo

Grupo alemão do setor eólico boicotou transporte de mercadorias por navios com bandeira russa, na sequência das sanções aplicadas à Rússia pela ofensiva militar sobre a Ucrânia.

O grupo alemão do setor eólico, Enercon, está a boicotar o transporte de mercadorias por navios com bandeira russa. Em Viana do Castelo, onde tem sediadas unidades de produção, a empresa recusou ontem à noite um carregamento de pás para aerogeradores, pela embarcação "Topaz Don".

Aquele navio de pequeno/médio porte, com 123 metros de comprimento e 16 de boca, e uma tripulação de 10 cidadãos russos, está fundeado à entrada do porto de mar desde dia 28 e tinha previsto atracar ontem à noite para carregamento, mas foi recusado pela empresa.

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Segundo o Comandante da Capitania do Porto de Viana do Castelo, Rui Silva Lampreia, a embarcação permanece à entrada do porto mas, "devido ao agravamento do estado do mar a partir das 18 horas, receberá orientações para se afastar da costa" enquanto "aguarda autorização da Enercon para fazer o carregamento das pás eólicas e seguir viagem".

"O navio não está impedido quer de praticar o fundeador, quer de praticar o porto de mar", indicou.

Micha Strauss, CEO da Enercon em Portugal, afirmou esta tarde ao "Jornal de Notícias", que aquela recusa de carregamento é irreversível e extensível a todas as embarcações russas, por parte de todo o grupo alemão. "Nós categoricamente não queremos usar barcos de bandeira russa. Esta foi uma reação espontânea que tivemos aqui em Viana. Entramos em contacto com a casa-mãe na Alemanha e estamos alinhados. Este é posicionamento geral da Enercon", declarou.

Posicionamento claro

"Ainda bem que o barco não pode entrar por causa do mau tempo. Fico surpreendido como é que a Capitania o deixava entrar. Se o tempo estivesse bom, deixava. Do ponto de vista da APDL não existem restrições", acrescentou. E sublinhou: "Da nossa parte não vamos carregar barcos de bandeira russa. Na Enercon, queremos protestar contra a invasão [da Ucrânia]. Por isso, já estamos a procurar alternativas".

Micha Strauss adiantou que o navio em causa "não foi contratado diretamente" à Rússia. "Pertence a uma empresa do Dubai e não sei como é que chegou a receber uma bandeira russa. Já disse ao meu departamento de logística que temos de ter muito cuidado para que não troquem agora a bandeira e ficarmos numa situação complicada", comentou, insistindo: "O nosso posicionamento na questão ética em relação à Ucrânia e à Rússia está muito claro: não queremos fazer negócios com a Rússia e tentamos evitar qualquer relacionamento".

O CEO da ​​​​​​​Enercon em Portugal afirmou ainda que, atualmente, o grupo "não possui qualquer projeto com a Rússia, nem aceita qualquer projeto com a Rússia".

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