Ataque

Relato de portuguesa na Nova Zelândia: "Isto é um ataque aos nossos valores"

Relato de portuguesa na Nova Zelândia: "Isto é um ataque aos nossos valores"

Uma portuguesa a viver em Christchurch, cidade neozelandesa onde esta sexta-feira um ataque terrorista matou 49 pessoas, partilhou com o JN os momentos vividos imediatamente após o atentado e falou numa onda de "indignação" e "solidariedade" entre a comunidade.

Dora Augusto trabalha como profissional de Marketing numa empresa da cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, onde vive há seis anos. No momento em que aconteceu aquele que viria a ser o primeiro momento do ataque que vitimou mortalmente 49 pessoas, em duas mesquitas, a portuguesa estava nas proximidades, nos escritórios da empresa, ao início da tarde (hora local).

"Foi tudo muito caótico. Ouvimos sirenes, ambulâncias. Depois os edifícios foram fechados, as ruas foram evacuadas. Vimos as pessoas a sair da mesquita e aí apercebemo-nos. Foi uma questão de segundos", contou Dora, que estava perto do primeiro local a ser atacado, a mesquita Al Noor, junto a Hagley Park.

O ataque caiu como uma bomba na Nova Zelândia, onde episódios como este não são comuns e onde o nível de ameaça à segurança interna - agora classificado como alto - era baixo até então.

"Na Nova Zelândia, não hão há relatos de atos de extremismo. Por isso ficamos todos abalados, surpreendidos", disse Dora, acrescentando que Christchurch é uma "cidade extremamente multicultural", onde diferentes credos e comunidades têm coexistido em harmonia.

Questionada sobre se este atentado pode dar origem a uma sensação geral de medo no país, a portuguesa considerou que os habitantes da cidade e o povo neozelandês não se vão deixar vencer pelo terror.

"Do que me vou apercebendo, neste momento há uma onda de indignação e vontade de ajudar as vítimas que sobreviveram e os familiares das que morreram. Não vejo medo. Isto não é a Nova Zelândia. Isto é um ataque aos nossos valores. Vamos estar mais atentos aos vizinhos, aos bairros, mas não vejo que vá haver uma onda de medo", disse, adiantando que se está a nascer um movimento espontâneo de solidariedade, com muitas pessoas a quererem entregar comida, cobertores e roupa aos sobreviventes, a maioria imigrantes e refugiados, como adiantou a primeira-ministra do país.

Australiano reivindicou ataque

Um homem que se identificou como Brenton Tarrant, de 28 anos, nascido na Austrália, reivindicou a responsabilidade pelos disparos e transmitiu em direto na Internet o momento do ataque, que filmou com uma câmara de ação. O comissário da Polícia Mike Bush disse que o indivíduo - cuja nacionalidade foi confirmada - foi detido (ver vídeo da detenção) e está acusado de vários crimes de homicídio, devendo ser presente a tribunal no sábado de manhã.

Além do suspeito, a Polícia neozelandesa deteve mais três pessoas (dois homens e uma mulher), que estavam nas proximidades, na posse de armas de fogo.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Arden, ​​​​​​disse que é óbvio que se trata de "um ataque terrorista", que foi planeado durante bastante tempo. "É um dos dias mais negros da Nova Zelândia", afirmou em conferência de imprensa.