Venezuela

Tropas venezuelanas bloqueiam ponte para travar ajuda humanitária

Tropas venezuelanas bloqueiam ponte para travar ajuda humanitária

Tropas venezuelanas bloquearam uma ponte na fronteira ocidental com a Colômbia para impedir a entrada da ajuda humanitária enviada por líderes da oposição.

Na quarta-feira, um tanque de combustível e dois contentores, estiveram a bloquear a ponte internacional de Tienditas, que liga os dos países fronteiriços e que se tornou numa porta de entrada para a ajuda humanitária vinda de fora. Lá, membros da guarda nacional bolivariana da Venezuela fiscalizavam a barreira para, escreve o "The Guardian", travar essa intervenção externa.

Os Estados Unidos acusaram, no mesmo dia, o presidente Nicolás Maduro de "bloquear" a ajuda humanitária enviada para o país, referindo que a população está "desesperada" por auxílio.

"O povo venezuelano necessita desesperadamente de ajuda humanitária. Os Estados Unidos e outros países estão a tentar ajudar, mas o exército da Venezuela, sob as ordens de Maduro, estão a bloquear a ajuda que chega em camiões e navios", disse o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, no Twitter, acrescentando que o "regime de Maduro deve permitir que a ajuda chegue a um povo com fome".

Maduro negou repetidamente que o país esteja economicamente devastado e que esteja a enfrentar uma crise humanitária, numa aparente tentativa de evitar a intervenção militar estrangeira. "Nós não somos mendigos", disse num discurso às tropas esta semana. A grave crise económica e social já levou cerca de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Além da crise humanitária, o país enfrenta uma crise política, que se tem acentuado desde que o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino da Venezuela, conseguindo desde logo o apoio internacional, nomeadamente dos Estados Unidos e aliados, e da União Europeia, que, apelando à democracia e à dignidade do povo da Venezuela, tem pressionado Maduro para convocar eleições no país.

Segundo o presidente do parlamento, "há entre 250 mil a 300 mil venezuelanos que correm o risco de morrer".

Cruz Vermelha duplicou orçamento anual

Acreditando que as necessidades não cobertas no país são "enormes", o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) duplicou o orçamento anual para a Venezuela, mas fez questão de afirmar que se recusa a ser arrastado para divisões políticas.

Atualmente, "estão cerca de 2600 voluntários e funcionários da Cruz Vermelha no terreno" para gerir oito hospitais, 33 centros de atendimento ambulatório e para "assegurar os primeiros socorros", precisou, em declarações à AFP, em Genebra, um porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV/CV).

ONU precisa do aval de Maduro para ajudar

A ONU está pronta para enviar ajuda humanitária de emergência pedida por Guaidó, mas alerta que, para avançar, precisa do consentimento do governo venezuelano.

"Numa carta, enviada em resposta a Guaidó a 29 de janeiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que as Nações Unidas estão prontas para aumentar as suas atividades na Venezuela em termos de assistência humanitária e de desenvolvimento. No entanto, acrescentou que, para isso, as Nações Unidas precisavam do consentimento do governo", afirmou, esta quinta-feira, em declarações à AFP, um porta-voz daquela organização internacional.

Atualmente, existem agências da ONU que estão presentes na Venezuela, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, a estrutura regional para o continente americano da Organização Mundial de Saúde), que gerem programas de assistência ao desenvolvimento ou de prevenção.

Segundo o mesmo porta-voz, estas agências estão a trabalhar no terreno para tentar conseguir intensificar o seu apoio. Mas, por exemplo, o Programa Alimentar Mundial (PAM), agência responsável pela entrega de alimentos em países em crise ou em conflito, não está presente na Venezuela.