Singapura

O aperto de mão simbólico e histórico entre Kim e Trump

O aperto de mão simbólico e histórico entre Kim e Trump

O líder da Coreia do Norte Kim Jong-un e o presidente Donald Trump deram um aperto de mão simbólico antes de reunirem, em Singapura. Um momento histórico seja qual for o resultado.

Numa breve declaração aos jornalistas, Kim Jong-un reconheceu: "Antigos preconceitos e velhos hábitos têm sido obstáculos, mas superámos todos para nos encontrarmos. Não foi fácil chegar onde estamos hoje".

Já Donald Trump afirmou: "Vamos ter uma ótima discussão e vai ser um tremendo sucesso".

Os dois líderes falaram cordialmente, antes de iniciarem uma reunião em privado - apenas na companhia dos seus tradutores, segundo a BBC.

Este início de encontro, pouco depois das 09 horas desta terça-feira (2 horas em Portugal continental), foi claramente diferente do entusiasmo manifestado entre Kim Jong-un e o homólogo da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em abril.

A reunião entre os dois líderes demorou 38 minutos, segundo a Casa Branca. Kim e Trump seguiram depois para uma outra sala onde estavam os membros das respetivas comitivas e onde as negociações foram retomadas.

A comitiva que acompanha o presidente dos Estados Unidos chegou primeiro ao luxuoso Capella Hotel, na turística ilha de Sentosa, onde decorre a cimeira com Kim Jong-un. O líder norte-coreano chegou alguns minutos depois.

A cimeira histórica a decorrer nesta ilha de Singapura tem por objetivo encontrar uma forma de proceder à desnuclearização do regime de Pyongyang. Estão a acompanhar o evento cerca de três mil jornalistas.

As expectativas em torno do encontro são elevadas, assim como o são as incertezas, após três meses de acidentadas negociações, em que a cimeira chegou mesmo a ser cancelada por Donald Trump.

Cimeira após meses de insultos

Este é o primeiro encontro entre os líderes dos dois países depois de quase 70 anos de confrontos políticos no seguimento da Guerra da Coreia e de 25 anos de tensão sobre o programa nuclear de Pyongyang.

Este encontro histórico ocorre depois de, em 2017, as tensões terem atingido níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), face aos sucessivos testes nucleares de Pyongyang e à retórica beligerante de Washington.

Donald Trump e Kim Jong-un não pouparam nas palavras, dirigindo diversos insultos mútuos.

Trump prometeu à Coreia do Norte "fogo e fúria" e chamou a Kim Jong-un "homem-foguete" e "louco".

Já o líder norte-coreano referiu-se a Trump como "lunático" e "desprovido de razão".

Apesar de nenhuma das partes ter divulgado a agenda, o principal tema do inédito encontro é encontrar uma forma de levar a cabo a desnuclearização da Coreia do Norte.

O regime de Kim Jong-un mostrou-se disposto a abandonar o seu programa nuclear durante a cimeira que as duas Coreias realizaram a 27 de abril, na zona desmilitarizada da fronteira, mas não quer que se lhe imponha uma fórmula unilateral, pretendendo um processo de desarmamento progressivo.

Por seu lado, a administração de Trump mostrou-se sempre irredutível em relação ao que exige de Pyongyang - uma desnuclearização "completa, verificável e irreversível" -, mas, nos últimos dias, abriu a porta a um processo de desnuclearização "por fases".

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