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Musk deu prenda de Natal aos funcionários da limpeza do Twitter: despedimento

Musk deu prenda de Natal aos funcionários da limpeza do Twitter: despedimento

Funcionários de limpeza da sede do Twitter, em São Francisco, na Califórnia, alegam terem sido demitidos sem direito a indemnização e dizem-se alvo de discriminação por serem sindicalizados.

Elon Musk ainda não era formalmente dono do Twitter e já se sabia das suas intenções de reestruturá-lo, tanto ao nível do funcionamento da rede social como dentro de portas. A demissão de cerca de metade dos quase 7500 funcionários da empresa no mundo aconteceria uma semana depois da compra, e mesmo que a seguir o multimilionário tenha voltado atrás em parte dos despedimentos, a forma como se manteve a lidar com a força de trabalho continua a dar que falar pelos piores motivos.

Agora, quatro funcionários da equipa responsável pela limpeza da sede da empresa, na cidade californiana de São Francisco, alegam terem sido demitidos na sequência de uma ação de protesto e sem direito a indemnização. De serviço durante a semana passada, os trabalhadores foram informados de que os seus empregos estavam em risco, pelo que decidiram organizar uma greve na segunda-feira como forma de manifestação. Nesse mesmo dia, foram demitidos com efeitos imediatos e sem direito a indemnização, denunciou à BBC a presidente do sindicato dos funcionários de limpeza, Olga Miranda, que atribui o despedimento ao facto de os trabalhadores em causa fazerem parte do coletivo.

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A três semanas do Natal, Adrianna Villarreal, que trabalhou para a empresa do pássaro azul durante quatro anos, e que faz parte do grupo afastado, não sabe o que fazer sem dinheiro suficiente para alimentar a família. "É triste e frustrante para as nossas famílias, para os nossos filhos. Devíamos ter presentes de Natal e um prato de comida na mesa durante a consoada, mas não temos nada", desabafou.

Juana Laura Chavero Ramirez, há cinco anos no Twitter, partilha das mesmas preocupações. É diabética e teme não conseguir dinheiro para comprar a medicação que precisa. "É simplesmente horrível. Não estamos apenas a perder o nosso emprego, estamos a perder o nosso ganha-pão", contou, sem saber o que fazer de agora em diante, já que, de momento, há poucas vagas para funcionário de limpeza disponíveis em São Francisco.

Escoltado por seguranças durante limpeza

Julio Alvarado trabalhou nas limpezas da sede do Twitter durante uma década. O ambiente de trabalho sempre foi bom, mas depois entrou Musk, em outubro, e as pessoas que "trabalhavam sem preocupações" começaram a fazê-lo "com medo". Chegou a ser escoltado por seguranças privados enquanto limpava partes do escritório de Musk e, recentemente, foi avisado pela equipa do multimilionário que o seu trabalho acabaria por se tornar obsoleto em breve, na medida em que os postos de trabalho do pessoal da limpeza seriam ocupados por robôs. Sem emprego e a sustentar a família no México, Alvarado está preocupado em como pagar a contas: "Não tenho dinheiro para pagar o aluguer. Não vou ter seguro médico. Não sei o que vou fazer."

Investigação em curso

Scott Wiener, senador do estado da Califórnia, considerou que Musk tratou os trabalhadores "como lixo" e o procurador da cidade de São Francisco está a investigar se o também patrão da Tesla infringiu a lei. "Elon Musk tem um longo historial de desrespeito pelas leis laborais. Embora eu não esteja surpreendido que isso tenha acontecido, lamento muito por esses trabalhadores. Vamos investigar isso mais a fundo", disse David Chiu à BBC.

Instado pela BBC a responder às acusações, o Twitter remeteu-se ao silêncio.

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