Médio Oriente

O que explica este reacendimento do conflito entre Israel e a Palestina?

O que explica este reacendimento do conflito entre Israel e a Palestina?

Expulsão de palestinianos de um bairro de Jerusalém oriental foi a mais recente gota de água para a Palestina.

Os esforços contínuos de Israel para limitar a presença de cidadãos da Palestina em Jerusalém, cidade que o Estado judaico assumiu, unilateralmente, como sua capital em 2017, são o pavio que fez estourar o mais recente conflito aceso entre judeus e árabes, que dura há uma semana e meia.

O desequilíbrio entre os dois estados, Israel e a Palestina, está agora à mostra em todo o seu horror: desde o reinício da escalada, com disparos de mísseis de ambos os lados, o número de palestinianos mortos já chegou a 87, entre eles 18 crianças e oito mulheres. Do lado israelita, há sete mortos a registar, incluindo uma criança de cinco anos.

Sheikh Jarrah, o bairro oriental onde colonos israelitas estão a tentar expulsar várias famílias palestinianas das suas casas, é o epicentro do reacendimento do conflito deste mês.

O que aconteceu? Várias famílias palestinianas que fugiram das suas casas originais durante a guerra de 1948, o ano da proclamação do Estado de Israel, vivem no bairro de Sheikh Jarrah há mais de 50 anos. Mas agora, as organizações de colonos israelitas alegam que, tendo essas casas pertencido anteriormente a grupos judeus, as famílias palestinianas podem, e devem, ser expulsas.

O governo israelita também autorizou colonos judeus a confiscar propriedades dentro de outros bairros palestinianos como Silwan, Abu Dis, e a-Tur, além de Sheikh Jarrah.

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É esta nova perspetiva israelita que levou ao reinício do disparo de "rockets" palestinianos sobre Israel e reacendeu o conflito que dura há décadas.

Dizem as autoridades palestinianas que esse direito de restituição não é recíproco para os seus cidadãos árabes que procuram reaver as propriedades que deixaram para trás durante a Nakba, palavra árabe que significa "catástrofe" ou "desastre", quando cerca de 700 mil palestinos foram expulsos das suas casas há já 73 anos.

De acordo com a Lei de Propriedade de Ausentes de Israel, a propriedade dos refugiados palestinianos é controlada pelo estado israelita. Israel perseguiu esse objetivo em Jerusalém Oriental, que ocupou em 1967 e anexou em 1980, tornando agora praticamente impossível para os palestinianos obter licenças para construir habitação, deixando assim milhares de pessoas vulneráveis ao deslocamento e as suas casas condenadas à demolição.

Os habitantes de Jerusalém Oriental, que não são cidadãos de Israel, mas residentes legais, enfrentam requisitos muito rígidos de residência, que os deixam em precariedade.

Como pano de fundo destes acontecimentos, com frustração crescente do lado palestiniano, temos ainda dois atos eleitorais.

Por um lado, a decisão de Mahmoud Abbas, o líder de 85 anos da Autoridade Palestina, que adiou as eleições legislativas marcadas para o final deste mês e as presidenciais, que seriam no mês seguinte - a última votação parlamentar palestiniana foi em 2006. Do outro lado, em Israel, a eleição em março encorajou ainda mais a extrema-direita israelita, que juntou um partido de ultranacionalistas judeus à aliança parlamentar do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

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