Covid-19

Risco raro de coágulos é dez vezes maior em infetados do que em vacinados

Risco raro de coágulos é dez vezes maior em infetados do que em vacinados

Um estudo revela que 39 pessoas em cada milhão de infetados com covid-19 correm o risco de desenvolver coágulos sanguíneos. Nos vacinados com o fármaco da Pfizer e da Moderna o risco é de quatro por milhão e com a AstraZeneca é de cinco por milhão.

Das quatro vacinas aprovadas na União Europeia - Pfizer, AstraZeneca, Moderna e Janssen - duas estão sob avaliação devido a casos de formação de coágulos sanguíneos (tromboembolismos) em pessoas vacinadas - a da AstraZeneca e da Janssen, detida pela Johnson & Johnson. Mas um estudo revela que estes efeitos secundários muito raros são mais frequentes em pessoas infetadas com covid do que em quem foi vacinado contra a doença.

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Oxford, parceira na investigação da vacina fabricada pela AstraZenca, que agora se chama Vaxzevria, conclui que o risco de sofrer uma trombose venosa cerebral (TVC) na sequência da formação de coágulos sanguíneos é entre oito a dez vezes maior em doentes infetados do que em pessoas vacinadas contra a covid-19.

O estudo, descrito pelo jornal "La Vanguardia", registou o número de TVC em pessoas com covid-19 e pessoas inoculadas com uma dose de qualquer uma das vacinas. Depois comparou os dados com as ocorrências em pessoas que tiveram pneumonia ou gripe e a população em geral.

Assim, os investigadores concluíram que o risco de sofrer uma TVC depois da primeira dose da AstraZeneca é de cinco casos por milhão de vacinados, com uma dose da vacina da Pfizer e da Moderna o risco é de quatro por milhão de vacinados e entre infetados com covid-19 o risco é de 39 por cada milhão.

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O estudo abrangeu 513.284 pacientes infetados com o coronavírus SARS-CoV-2 e 489.871 vacinados com uma uma dose com a tecnologia RNA mensageiro (Pfizer e Moderna). O risco apurado para a AstraZenca é o descrito pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês).

Do mais de meio milhão de pessoas com covid-19 analisadas, 20 sofreram TVC e 224 trombose venosa profunda. Segundo o estudo, o risco é "significativamente maior" em pacientes com historial de doenças cardiovasculares. Dos 20 TVC, seis ocorreram em pacientes com menos de 30 anos, quatro tinham entre 30 e 39 anos, dois estavam na faixa etária dos 40-49 anos, outros dois tinham entre 50-59 anos, três entre 60-69 anos e mais três entre 70-79 anos.

Apesar de também se verificarem casos de tromboembolismos após vacinação com a Pfizer e Moderna, são os casos associados à AstraZeneca e Janssen que têm tido maior mediatização.

O estudo conclui que o risco de sofrer uma TVC por covid-19 é dez vezes maior do que receber uma dose da vacina da Pfizer ou da Moderna e oito vezes maior do que uma dose da AstraZeneca. No entanto, os dados devem ser encarados com cautela, pois continuam a ser recolhidas informações para aumentar as amostras.

"Chegamos a duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, a covid aumenta consideravelmente o risco de TVC, que se soma a uma lista de problemas de coagulação do sangue que causa esta infeção", salientou Paul Harrison, um dos investigadores envolvidos. "Em segundo lugar, o risco diretamente relacionado com a covid é mais alto do que o verificado com as vacinas atuais, incluindo para menores de 30 anos, algo que deve ter-se em conta na ponderação dos riscos e benefícios da vacinação", acrescentou.

"Os sinais de que a covid-19 está relacionado à TVC, assim como a trombose da veia porta, um distúrbio de coagulação do fígado, são claros e devemos estar atentos", recomenda Maxime Taquet, outro investigador que participou no estudo.

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