EUA

Testemunhas dizem que Trump "desligou-se da realidade"' por causa das eleições

Testemunhas dizem que Trump "desligou-se da realidade"' por causa das eleições

A comissão parlamentar que investiga o assalto ao Capitólio recebeu informações de que conselheiros de campanha, altos funcionários e familiares de Donald Trump tentaram demovê-lo das alegações sobre fraude nas eleições presidenciais, mas que parecia estar "desligado da realidade".

Este novo desenvolvimento, avançado pela agência noticiosa Associated Press (AP), refere que em causa estão os conselheiros mais próximos de Trump, altos funcionários do Governo e até de elementos da sua família.

Na noite da eleição, Donald Trump mostrava-se "cada vez mais insatisfeito" e a rejeitar os resultados à medida que iam sendo revelados, referiu o antigo responsável pela campanha Bill Stepien, num depoimento prestado aos membros da comissão parlamentar ao assalto ao Capitólio.

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Segundo relata a AP, Jared Kushner, genro de Donald Trump, tentou afastá-lo do advogado Rudy Giuliani e das suas teorias de fraude eleitoral, que os conselheiros mais próximos acreditavam não serem verdadeiras, mas Trump ignorou estes conselhos.

Este 'vai-e-vem' manteve-se nos meses seguintes. O antigo funcionário do Departamento de Justiça Richard Donoghue recorda-se de ter deitado por terra uma alegação atrás da outra e de dizer a Trump que muitas "das informações que estava a receber são falsas".

"Ele estava a desligar-se da realidade", disse o ex-procurador-geral William Barr, que classificou as alegações de fraude eleitoral de "falaciosas" e "idiotas", e se demitiu no rescaldo das eleições: "Não queria fazer parte daquilo", afirmou.

As testemunhas foram ouvidas pela comissão parlamentar focando-se na "grande mentira" das alegações de Trump sobre fraude eleitoral que alimentaram as suas tentativas para anular as eleições de 2020.

Foram também dadas novas informações sobre como a máquina de angariação de fundos de Trump conseguiu mais cerca de 250 milhões de euros após as eleições de novembro para continuar a lutar, na sua maioria através de doações de pequenas quantias.

Um dos pedidos de dinheiro foi feito cerca de meia hora antes do ataque ao Capitólio, em 06 de janeiro de 2021.

Membros da comissão parlamentar que investiga o assalto ao Capitólio afirmaram hoje que descobriram provas suficientes para o Departamento de Justiça acusar o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de tentar anular os resultados das eleições de 2020.

"Gostaria de ver o Departamento de Justiça investigar qualquer alegação credível de atividade criminosa por parte de Donald Trump", defendeu o deputado democrata Adam Schiff, membro da comissão, que também lidera a Comissão de Informações da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Donald Trump -- que ainda na quinta-feira elogiou a invasão do Capitólio como um movimento histórico para "tornar a América grandiosa novamente" - tem vindo a insinuar que se irá recandidatar às eleições para a presidência dos Estados Unidos em 2024.

Em 06 de janeiro de 2021, milhares de apoiantes do ex-presidente republicano reuniram-se em Washington num comício para denunciar o resultado da eleição de 2020, de que Trump saiu derrotado.

As imagens de uma multidão a invadir a sede do Congresso dos Estados Unidos chocaram o mundo.

Por muitos meses, a chamada Comissão 06 de janeiro -- sete democratas e dois republicanos -- ouviu mais de mil testemunhas, incluindo dois filhos do ex-presidente e analisou 140 mil documentos para esclarecer a responsabilidade exata de Donald Trump no evento que abalou a democracia norte-americana.

Os apoiantes da comissão consideram este trabalho essencial para garantir que um dos episódios mais sombrios da história dos Estados Unidos nunca se repita.

No entanto, a maioria dos republicanos denuncia o trabalho do grupo de congressistas eleitos da comissão como uma "caça às bruxas".

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