Infarmed

Portugueses vão poder agendar vacinas. 90% atribuídas por idade

Portugueses vão poder agendar vacinas. 90% atribuídas por idade

Portugal deve atingir o limiar dos 120 casos de covid-19 por 100 mil habitantes entre duas semanas a um mês. Até ao fim de abril, devem chegar 1,9 milhões de vacinas. A partir de agora, 90% das vacinas vão ser atribuídas por idade, e vai passar a ser permitido o autoagendamento da vacina. "Entre julho e agosto", 70% da população acima dos 30 anos deverá estar vacinada com a primeira dose.

Ministra da Saúde, primeiro-ministro, Presidente da República e presidente da Assembleia da República reuniram-se esta terça-feira de manhã com peritos no Infarmed para avaliarem a evolução da pandemia em Portugal. No fim da reunião, que acontece em semana de renovação do estado de emergência, Marta Temido resumiu que Portugal já esteve "perante uma situação epidemiológica mais favorável" do que atualmente, acrescentando que o Governo procurará garantir o "equilíbrio" entre o avanço do desconfinamento e as necessidades de saúde pública. Estes dias são "decisivos" para que se consolidem tendências e para que o Governo possa tomar medidas na quinta-feira.

Eis os pontos essenciais da reunião de hoje:

- Quanto à taxa da incidência da doença por 100 mil habitantes a 14 dias, os especialistas estimam que Portugal atinja os 120 casos por 100 mil habitantes (limiar da matriz de risco) "entre duas semanas e um mês". Comparando com o resto da Europa, "Portugal está com nível de incidência muito mais baixo", ainda que o Rt esteja a aumentar (é agora de 1,05).

- Há uma "inversão da tendência" de decréscimo. De acordo com André Peralta Santos, da DGS, Portugal tem atualmente uma "incidência moderada" do vírus, "próxima dos 71 casos por 100 mil habitantes e com uma tendência ligeiramente crescente". Há 22 concelhos com mais de 120 casos por 100 mil habitantes, a maioria no Alentejo e Algarve. Na última semana, deu-se também "algum crescimento" nas zonas do Grande Porto e de Trás-os-Montes.

- Durante este mês, Portugal terá disponíveis 1,9 milhões de vacinas, quantidade suficiente para alterar a estratégia, unindo a segunda fase com a terceira. A partir de agora, 90% das vacinas vão ser atribuídas por idade. O país poderá, em abril, administrar uma média de 97 mil vacinas por dia, sendo que 70% da população acima dos 30 anos deve estar vacinada com a primeira dose "entre julho e agosto". De resto, já chegaram ao país 2,6 milhões de vacinas e já houve 2,1 milhões de doses administradas. No domingo, 1,5 milhões de portugueses já tinham recebido a primeira dose (mais de 15%) e 6% da população tinha completado a vacinação.".

- A par do agendamento centralizado da vacinação, que irá prosseguir, passará também a existir a possibilidade de autoagendamento através de um site que será criado para o efeito. Em alternativa, os cidadãos poderão também solicitá-lo na Junta de Freguesia ou junto das autoridades.

PUB

- No que diz respeito às idades dos novos infetados, existe uma redução "muito assinalável" da incidência em quase todos os grupos etários. Exceção para a faixa etária dos zero aos 9 anos, sobretudo na Grande Lisboa e Grande Porto, que se explica com a abertura das escolas, onde, apesar do aumento de casos, "as medidas de mitigação" mostram estar a resultar. Por causa da vacinação, há uma "tendência de decrescimento" na faixa acima de 80 anos. Nos lares, existem 121 casos ativos, o número mais baixo desde o início da pandemia.

- As hospitalizações (tanto em enfermaria como em UCI) e a mortalidade mantém a tendência decrescente, apesar de o ritmo de descida ter abrandado. Com recursos a modelos matemáticos, o Instituto Dr. Ricardo Jorge estima que, com o R atual, as vacinas tenham prevenido até 140 óbitos por covid-19.

- A variante do Reino Unido representava 83% dos casos em março, tendo havido uma "redução significativa" da variante original no território português, surgida em Espanha. A variante de Manaus (Brasil) representa 0,4% dos casos em Portugal. Já a da África do Sul revelou um "crescimento muito significativo", subindo de 0,1% em fevereiro para 2,5% em março. A realidade atual das variantes "não é impeditiva" da continuação do plano de desconfinamento.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG