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Ana Gomes "admite refletir" sobre candidatura presidencial e arrasa Costa

Ana Gomes "admite refletir" sobre candidatura presidencial e arrasa Costa

Contra o "candidato do regime" e incomodada com o apoio informal e "grave" que o primeiro-ministro António Costa deu à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a Belém, Ana Gomes, militante do PS, reconsiderou e vai "refletir" sobre uma eventual candidatura às presidenciais de janeiro.

Ana Gomes criticou António Costa por, "na qualidade de primeiro-ministro e num contexto em que o presidente da República tinha acabado de se ingerir de forma bastante criticável nos assuntos internos do Governo", ter lançado Marcelo Rebelo de Sousa numa recandidatura, classificando esse momento como "um episódio absolutamente lamentável" e "deprimente mesmo". A ex-eurodeputada do PS referia-se às declarações de António Costa durante uma visita de ambos à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, no dia 13 de maio, e pouco depois de o presidente da República ter criticado o ministro das Finanças a propósito da transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco.

"Penso que isto de facto mudou muita coisa para dar muita preocupação a toda a gente e aos democratas no nosso país em particular", disse este domingo à noite, criticando a aliança entre Costa e Marcelo.

"Democracia não está suspensa"...também no PS

"A democracia não está suspensa, disse-o bem o nosso primeiro-ministro, a propósito do estado de emergência no país. Mas parece que alguns pensam que está suspensa no país e no PS", disse, aludindo às declarações "de uma leviandade paternalista insuportável " por parte de Carlos César, presidente do PS, a propósito do adiamento do congresso do PS para depois das presidenciais de janeiro, devido à pandemia de covid-19, o que é interpretado como uma forma de evitar o debate sobre este tema.

"Do meu ponto de vista, isto é grave e faz-nos refletir. Um candidato do regime, que é no fundo o que é hoje Marcelo Rebelo de Sousa, vai polarizar a sociedade e, no fundo, vai fazer o jogo, vai facilitar a vida dos extremos. E, num momento em que temos aí a extrema-direita organizada, não só cá, mas internacionalmente,' chamam-lhe um figo'", defendeu, no seu habitual comentário de domingo à noite na SIC Notícias.

"Muito perigoso para a democracia"

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Para Ana Gomes, esta situação é "tão grave" que "neste momento todos os democratas temos de refletir nas implicações do que se passou, nas implicações que vai ter na democracia", revelando que tem ouvido "muita gente preocupada" com esta situação, "muito perigosa para a democracia".

"Todos temos que refletir e eu também vou refletir", disse, lembrando que até hoje sempre disse que não seria candidata. "Não sou candidata e não tenho a ambição de ser candidata. Mas o que se passou é tão grave, tem tantas implicações para a democracia. Eu fico muito preocupada pelo meu partido e pela democracia. E acho que muitos portugueses do centro-esquerda, da esquerda e da própria direita democrática estão preocupados", disse.

O nome de Ana Gomes tem sido lançado, inclusive por Francisco Assis e Paulo Pedroso, críticos de António Costa, como uma alternativa para fazer frente a Marcelo nas eleições de janeiro, mas até agora sempre tinha afastado esta possibilidade.

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