
José Luís Carneiro, líder do PS
Foto: Rodrigo Antunes/Lusa
O secretário-geral do PS recusou, esta sexta-feira, aproveitar a tragédia da morte de uma grávida para "fins político-partidários", mas exigiu o apuramento de "todas as responsabilidades", considerando o primeiro-ministro responsável pelo "falhanço clamoroso" na Saúde.
À margem de uma visita ao Amadora BD, José Luís Carneiro lamentou a morte de uma grávida "que perdeu a vida depois de ter ido ao hospital e de a terem mandado embora", considerando grave este acontecimento.
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"Contrariamente a outros, nós não aproveitamos a tragédia para fins político-partidários. No entanto, todas as responsabilidades devem ser apuradas e a primeira e mais importante responsabilidade é a do primeiro-ministro, por uma razão, porque foi ele que prometeu soluções e, portanto, é ele que tem que prestar contas, tem que dar conta da sua responsabilidade, da forma como a está a exercer", acusou.
Na perspetiva do líder do PS, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou na véspera tudo o que o PS tem vindo a dizer sobre saúde. "É o reconhecimento do falhanço clamoroso do Governo numa área vital para a qual prometeu soluções", condenou.
Carneiro chamou ainda a atenção para uma parte do discurso feito na quinta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa sobre saúde.
"O presidente da República disse que não se conseguem solucionar questões desta natureza de forma aleatória e sem planeamento. Ora, quem é que tem estado a procurar responder de forma aleatória e sem planeamento? O Governo", criticou.
Esta semana, José Luís Carneiro já tinha desafiado Luís Montenegro a demitir a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, por consider que estava sem autoridade política.
Questionado sobre se a ministra estava agora mais frágil, depois das declarações do Presidente da República, o secretário-geral socialista insistiu que é o chefe do executivo PSD/CDS-PP "que está mais frágil" porque "é o primeiro responsável de uma equipa".
"Se a equipa não dá resultados, não apresenta resultados, quem é o responsável? O responsável é o primeiro-ministro, porque foi ele que prometeu em campanha eleitoral, há cerca de dois anos, que tinha soluções para a saúde. Prometeu que em 100 dias apresentava soluções para as urgências hospitalares. Não apenas não apresentou soluções adequadas, como falhou todo o plano que tinha apresentado", apontou.
