Mulher morre após cesariana de emergência. Bebé com prognóstico "muito reservado"

Foto: Júlio Lobo Pimentel / Arquivo
Uma mulher de 37 anos morreu, esta sexta-feira, no Hospital Amadora-Sintra, depois de um parto de emergência. Foi transportada pelo INEM, já em paragem cardiorrespiratória, para a unidade de saúde, onde acabou por morrer. O bebé encontra-se com um "prognóstico muito reservado". Reguladora e Inspeção Geral das Atividades em Saúde vão investigar.
A mulher, natural da Guiné-Bissau, encontrava-se grávida de 38 semanas e, de acordo com um comunicado do hospital, dirigiu-se à Unidade Local de Saúde (ULS), na quarta-feira, "assintomática", para uma "consulta rotina, durante a qual foi identificada com hipertensão ligeira".
"De acordo com o protocolo clínico, a utente foi então referenciada internamente para a Urgência de Obstetrícia, onde, após a realização de vários exames complementares de diagnóstico, teve alta com indicação para internamento às 39 semanas de gestação", refere a nota do hospital.
No entanto, hoje deu entrada no Serviço de Urgência de Obstetrícia, pelas 1.50 horas, transportada por uma equipa do INEM, "em situação de paragem cardiorrespiratória". Após entrar na ULS, foi realizada "uma cesariana de emergência, tendo o bebé nascido às 1.56 horas".
A mulher acabou por morrer e o recém-nascido encontra-se "sob vigilância médica, com prognóstico muito reservado", nos cuidados intensivos neonatais, indica o comunicado.
O hospital "lamenta profundamente o falecimento da utente e endereça sentidas condolências à família", acrescentando ainda que "foi aberto um inquérito interno para apurar todas as circunstâncias associadas ao ocorrido".
"O processo de inquérito tem como objetivo avaliar os factos relacionados com a assistência prestada a uma grávida no serviço de urgência da Unidade Local de Saúde de Amadora-Sintra e que acabou por falecer (...) horas depois de ter sido encaminhada para casa", refere a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde em comunicado.
Reguladora e IGAS vão investigar
Ao final da manhã, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) informou que instaurou um processo de avaliação após o falecimento da grávida na ULS de Amadora-Sintra, com o objetivo de "avaliar os factos relacionados com a assistência prestada" à utente, numa averiguação conjunta com a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
"Considerando que a ERS decidiu abrir um processo de avaliação e que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde, no quadro das suas competências, também se encontra a averiguar a situação, através de um processo de inquérito, estes dois organismos decidiram cooperar de modo a obter todos os esclarecimentos necessários de forma complementar", justificou a Reguladora.
O diretor do serviço de urgência obstétrica e ginecológica do hospital Amadora-Sintra, Diogo Bruno, afirmou que a grávida foi imediatamente socorrida com todos os procedimentos previstos.
"A grávida estava em paragem cardiorrespiratória quando entrou no hospital. Portanto, a atitude que foi tomada foi suporte avançado de vida e extração do bebé assim que possível e foi super rápido", afirmou Diogo Bruno em declarações a jornalistas no Hospital Fernando Fonseca, que faz parte da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra.

