Depressão Kristin espalhou o caos no país e deixou rasto de mortos, feridos e desalojados

Danos causados junto ao Tribunal de Leiria
Foto: Pedro Correia
Cinco mortes confirmadas, dezenas de desalojados e mais de 4180 ocorrências. Este é o rasto deixado pela depressão Kristin que, na madrugada e manhã desta quarta-feira, devastou Portugal continental. Perda de telecomunicações, falhas de eletricidade, quedas de árvores e de estruturas, rajadas de vento que chegaram aos 178km/h, inundações, vias cortadas e escolas fechadas foram também consequências da intempérie que atingiu particularmente o Centro.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, garantiu que o Governo está em contacto com as autarquias afetadas, de modo a avaliar os mecanismos de auxílio que podem ser acionados para mitigar os efeitos causados pelo mau tempo. No entanto, de acordo com o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, a reposição da normalidade ainda vai demorar alguns dias. A boa notícia é que, segundo os especialistas, o pior já terá passado, ainda assim, as recomendações para os próximos dias são de prudência.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera classificou a depressão Kristin como um caso de ciclogénese explosiva. Por outras palavras, trata-se do processo em que uma depressão se intensifica rapidamente, devido a uma queda abrupta da pressão atmosférica no seu centro num período de 24 horas. Normalmente, o fenómeno meteorológico está associado a ventos muito fortes e chuva intensa, provocando tempestades de grande energia e impacto.
Mortes e desalojados
Leiria foi um dos distritos mais afetados pela depressão Kristin. Só naquela região da Beira Litoral houve três mortes, sendo que, segundo a autarquia leiriense, "duas foram provocadas diretamente pela ocorrência do fenómeno", enquanto a outra vítima sofreu uma paragem cardiovascular. As outras duas vítimas mortais registaram-se em Vila Franca de Xira e em Silves.
No que toca a desalojados, cujas casas ficaram destruídas devido a quedas de árvores e estruturas ou outro tipo de danos relacionados com as condições climatéricas, houve dezenas de afetados, um pouco por todo o país. Nove pessoas ficaram nesta situação na Figueira da Foz, seis em Sobral de Monte Agraço, bem como três famílias em Pombal e em Condeixa-a-Nova. Em Évora, um agregado familiar ficou sem casa, enquanto que na Lourinhã e em Portalegre se registou uma pessoa em cada localidade com este problema.
Muitos desses incidentes estão relacionados com a assustadora velocidade que as rajadas atingiram. O máximo registado aconteceu na base aérea de Monte Real (Leiria), onde a força do vento chegou aos 178 quilómetros por hora. Na estação do Cabo Carvoeiro houve uma rajada com 149 quilómetros por hora e na estação de Ansião alcançou os 146 quilómetros por hora.
Pior já passou
Estes fenómenos naturais provocaram outros impactos. Escolas tiveram de ser fechadas em Portalegre, Pombal, Guarda, Montalegre, Miranda do Douro, entre outras zonas, e dezenas de estradas foram cortadas por não estarem reunidas as condições de segurança necessárias para a circulação. Além disso, as plantações agrícolas também foram vítimas da tempestade Kristin, o que levou os agricultores a pedirem ao Governo um "rápido levantamento dos prejuízos e que as indemnizações e apoios cheguem de forma célere".
A boa notícia é que os especialistas defendem que o pior já terá passado. Mário Marques, climatologista, afirma que, até domingo, "a situação será mais calma", embora haja previsões de aguaceiros no Norte. Já no Centro e Sul, "haverá boas abertas". Agora, a depressão Kristin segue para Espanha.
Políticos
Marcelo atento: O presidente da República esteve na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para se inteirar do ponto da situação provocada pela tempestade Kristin.
Seguro e Ventura: Os candidatos à Presidência da República, António José Seguro e André Ventura, lamentaram as mortes registadas e ponderam visitar as zonas mais afetadas.
Homenagem: O Parlamento cumpriu um minuto de silêncio pelas vítimas da depressão Kristin, proposto pelo presidente da AR. Governo e grupos parlamentares associaram-se.

