Fernando Alexandre nega declarações sobre alunos pobres: "É uma distorção total"

Ministro da Educação assegura que foi mal interpretado
Foto: Leonel de Castro/Arquivo
O ministro da Educação afirma que é "totalmente falso" que tenha dito que os alunos mais desfavorecidos degradam as residências universitárias, defendendo que a interpretação feita da sua intervenção é "gravíssima" e "uma distorção total". Num esclarecimento emitido ao final da tarde, a tutela enviou a intervenção na íntegra para provar que a declaração foi tirada do contexto.
"É totalmente falso. Eu lamento que o líder parlamentar do Partido Socialista comente afirmações do ministro do Governo da República Portuguesa sem ouvir na íntegra as declarações. Aquilo que eu disse na minha intervenção é que é essencial para a qualidade dos serviços públicos que nós possamos ter todos os estratos socioeconómicos. Nós sabemos que, no caso das residências, nas últimas décadas, houve um problema grave de degradação dessas infraestruturas, de má gestão", afirmou Fernando Alexandre em declarações à RTP Notícias, a propósito da polémica em torno das suas declarações durante a apresentação do novo modelo de Ação Social para o Ensino Superior, que decorreu nesta terça-feira, em Lisboa.
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Recordando que também foi "bolseiro da Ação Social" e que viveu numa residência académica na Universidade de Coimbra, o governante disse saber "como é que essas instituições eram geridas", reiterando que o problema é a "má gestão" e não os alunos mais carenciados. "O que eu disse foi: nós precisamos de pessoas, nós precisamos que os serviços públicos - e é essa a essência da democracia - sejam utilizados por todas as classes sociais. Por todas as famílias de todos os níveis de rendimento. E temos de ser exigentes em relação à qualidade dos serviços públicos", acrescentou.
O ministro da Educação sublinhou que o tipo de interpretação feito às suas declarações "é gravíssimo" e uma "distorção total" da realidade, assegurando que o novo modelo apresentado "vai garantir, precisamente, que nenhum estudante fica de fora do Ensino Superior por razões económicas".
"O que eu disse é que quando temos um serviço público que é usado apenas por pessoas que não têm voz, que são de rendimentos mais baixos, por razões de gestão - fui isso que eu disse, devido à gestão -, o serviço se degrada. Foi isso que eu disse. É só ouvir as minhas declarações", reforçou uma vez mais Fernando Alexandre, anunciando que as declarações iam ser partilhadas pela tutela "com todos". "Peço que oiçam com atenção porque aquilo que eu faço ali é uma apologia da mobilidade social, da igualdade de oportunidades que este modelo de Ação Social que nós apresentámos e que é uma verdadeira reforma no acesso ao Ensino Superior vai criar. E eu percebo que o PS está incomodado, que seja o nosso Governo e não o PS a propôr um sistema de Ação Social verdadeiramente justo".
O ministro da Educação defendeu que, nas últimas décadas, as instituições de Ensino Superior "não cuidaram das residências universitárias", o que levou à existência de "condições degradantes". "Elas foram basicamente espaços para alunos de baixos rendimentos quando devem ser infraestruturas de integração dos estudantes deslocados".
Esclarecimento do ministério
Após a entrevista na RTP Notícias, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) emitiu um esclarecimento sobre as declarações de Fernando Alexandre, insistindo que "é totalmente falso" que o ministro considere que cidadãos de baixos rendimentos degradem os serviços públicos". "É, por isso, totalmente falso que o Ministro considere que os estudantes com mais baixos rendimentos sejam responsáveis pela degradação das residências", reafirma o MECI.
A tutela esclarece que "a qualidade dos serviços públicos e da sua gestão é beneficiada pela diversidade social dos seus utilizadores, facto que está demonstrado por inúmeros estudos científicos", sendo objetivo do Governo "que as residências académicas sejam espaços de diversidade social, integração e bem-estar para todos os estudantes".

