
"A sustentabilidade financeira não deve assentar em lógicas de comercialização ou privatização de bens públicos", refere a Resapes
Foto: Artur Machado / Arquivo
Os psicólogos do ensino superior alertaram, esta quarta-feira, que a sustentabilidade financeira das universidades não deve passar pela privatização, após as declarações do ministro da Educação sobre a degradação das residências estudantis.
"A sustentabilidade financeira não deve assentar em lógicas de comercialização ou privatização de bens públicos, mas antes em políticas de investimento contínuo e responsabilidade partilhada pelo Estado", refere a Rede de Serviços de Apoio Psicológico no Ensino Superior (Resapes) numa carta enviada à Lusa, na sequência das declarações do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, na terça-feira.
Durante a cerimónia de apresentação do novo modelo de ação social para o ensino superior, Fernando Alexandre, defendeu que as residências públicas devem ter alunos de vários estratos sociais, caso contrário, irão degradar-se mais rapidamente.
Mais tarde, o ministro da Educação considerou "totalmente falso" que tenha defendido que os alunos mais carenciados são responsáveis pela degradação das residências universitárias, em declarações à RTP Notícias.
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A rede indicou que temas referentes às ciências sociais, humanas e económicas são complexos e que é redutor interpretá-los através de relações de causa efeito.
Segundo a mesma fonte, o rigor e a leitura crítica da situação são necessárias em declarações para o público, destacando que a comunicação do Governo, entre outras instituições têm impacto direto na confiança dos ouvintes.
"A comunicação pública de quem ocupa cargos de representação institucional tem impacto direto na confiança e no sentido de pertença das pessoas a quem se dirige. Por isso, é essencial que estas intervenções se pautem pela equanimidade discursiva, pelo equilíbrio e pela responsabilidade discursiva", refere a carta.
