
António Filipe e Gouveia e Melo durante debate transmitido na noite de 2 de dezembro.
Foto: Rui Valido/TVI
O pacote laboral do Governo marcou o debate que opôs esta terça-feira Gouveia e Melo a António Filipe, na TVI, com o almirante a defender que "o Governo deve ter uma atitude mais negocial" e o candidato apoiado pelo PCP a acusá-lo de dizer "banalidades" para "explorar" as divisões nos eleitores do PS e do PSD. Gouveia e Melo disse ainda que não será "marioneta" do Executivo.
Questionado sobre a greve geral do próximo dia 11, o almirante disse que "é um direito que os trabalhadores têm e vão exercê-lo, mas deviam encontrar-se mecanismos na concertação social para promover uma economia nova". E acredita que "há margem para negociar" após esta paralisação.
"A minha posição tem sido claramente expressa. Agora, de Gouveia e Melo, temos umas generalidades, umas vacuidades sobre este tema ou outro qualquer", criticou António Filipe, desejando que o Parlamento rejeite a proposta e seja retirada. "Percebemos que procura explorar o facto de os eleitores do PS não se identificarem muito com Seguro e os de PSD com Marques Mendes", atacou ainda. O almirante acusou-o depois de "trazer para o debate das presidenciais questões do foro legislativo e partidário", colhendo uma reação de espanto do seu oponente.
Já na parte final do debate, o almirante prometeu que não será uma marioneta. "Temos muitos problemas. Estarei sempre do lado da estabilidade. Farei tudo para incentivar a mudança. Mas farei com o Governo. Não serei uma marioneta do Governo, nem uma força de bloqueio", afirmou.
Já António Filipe acusou Gouveia e Melo de fazer parte do "rotativismo neoliberal entre PSD, PS e CDS", tendo em conta as prioridades que definiu.
Antes do pacote laboral, os candidatos tiveram um debate muito tenso sobre a guerra na Ucrânia, a escalada do conflito entre Venezuela e os EUA, e também sobre Cuba.
"Não sou parte dessas negociações. Mas espero que se chegue rapidamente a um acordo", defendeu António Filipe, sobre a guerra na Ucrânia. "Chegou a dizer que Zelensky era apoiado por fascistas", acusou, por sua vez, Gouveia e Melo.
O candidato apoiado pelo PCP criticou depois o discurso do adversário, acusando-o de afirmar que "os jovens portugueses deviam morrer onde a NATO mandasse". "Quer uma guerra até ao último ucraniano ou uma guerra nuclear?", questionou. Além disso, afirmou que está "nos antípodas de Putin", ao contrário do Almirante.

