
Elogiado pela competência e pela forma frontal como defende as suas convicções, é o primeiro diretor nacional da PJ a saltar diretamente para um Governo (o que não agrada a todos). Foi futebolista e no Fundão é lembrado como um "Don Juan".
Há pouco mais de um ano, deu que falar por afirmar que o sentimento de insegurança era gerado pelo aumento da desinformação, lembrando que os números da criminalidade violenta contradiziam a ideia de um país menos seguro. As declarações de Luís Neves, então diretor nacional da Polícia Judiciária, foram encaradas como uma pedrada no charco das perceções, expressão tão em voga por aqueles dias, em parte graças ao Governo. Mês e meio antes, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, tinha feito uma declaração ao país em que frisou o "sentimento de insegurança" e alertou para a necessidade de "não se dormir à sombra da bananeira". À polémica declaração, seguiu-se uma ainda mais polémica operação da PSP na rua do Benformoso, em Lisboa, na qual dezenas de imigrantes foram encostados à parede para serem revistados. A operação seria defendida por Montenegro, que insistiu nas perceções. Daí que as tais declarações de Luís Neves tenham sido interpretadas como um recado. No último fim de semana, contudo, soube-se que foi o escolhido por Montenegro para suceder a Maria Lúcia Amaral na liderança do Ministério da Administração Interna.

