Mortágua deixa Parlamento em novembro mas quer continuar a "construir a Esquerda"

Mariana Mortágua recusa traçar perfil de futura liderança do Bloco
Foto: Mário Vasa
Mariana Mortágua vai deixar a liderança do Bloco de Esquerda e o lugar no Parlamento, mas só no final da aprovação do Orçamento do Estado para 2026, no fim de novembro. A coordenadora não vai, no entanto, abandonar a vida política e sublinha que quer continuar a fazer parte do "futuro" do partido.
"Estarei aqui. Sou também parte desse futuro, ainda que não como coordenadora do Bloco", afirmou este sábado, em conferência de Imprensa, frisando ter tomado "uma decisão pessoal". A coordenadora do BE avisou antes os militantes da decisão de não se recandidatar à liderança do partido, numa carta enviada por email. "Depois do colapso da maioria absoluta do PS e com o reforço da Direita e da extrema-direita, era preciso encontrar outros caminhos. Considero que esse objetivo não foi cumprido", escreveu na missiva endereçada aos bloquistas. Ao final do dia, aos jornalistas, assumiu não ter conseguido dar "esse novo impulso à Esquerda" e que chegou o momento de o BE "beneficiar" de novas vozes.
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Nas legislativas de maio, recorde-se, o Bloco passou de cinco para um deputado - a coordenadora foi a única a ser eleita -, registando o pior resultado de sempre. Nas autárquicas, a 12 de outubro, não elegeu diretamente nenhum vereador e perdeu 62 eleitos nas assembleias municipais. Mariana Mortágua revelou que começou a refletir na sua saída logo após as legislativas, mas que decidiu não se afastar de "forma irrefletida" deixando o partido "num vazio" até à Convenção Nacional, que se realiza a 29 e 30 de novembro.
"O afastamento da vida política é uma impossibilidade", sublinhou aos jornalistas, frisando que vai continuar no BE e a fazer política, apesar de não como coordenadora ou deputada, "neste momento".
Bloco de Esquerda elege sucessor no final de novembro
A 14.ª Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, marcada para os dias 29 e 30 de novembro e com cinco moções a debate, assume uma nova importância com o fim de ciclo de Mariana Mortágua.
A bloquista era a primeira proponente da moção de orientação intitulada "Resistir para virar o Jogo". Agora, com a saída de Mortágua, caberá aos subscritores da moção decidir a sua proposta para a coordenação e qual a lista que vão apresentar para compor a Mesa Nacional.
Entre os nomes dos proponentes desta moção estão vários dirigentes do núcleo duro do partido, como Fabian Figueiredo (também número dois na lista do partido pelo círculo eleitoral de Lisboa e potencial sucessor de Mortágua no parlamento), Jorge Costa, Joana Mortágua, Marisa Matias, Catarina Martins, Adriano Campos ou Pedro Filipe Soares.
Também nos subscritores estão incluídos nomes como José Manuel Pureza, ou os fundadores Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas.

