
TempestadeSOS
Certo da generosidade dos portugueses e surpreendido com a devastação causada pela depressão Kristin, Ricardo Paiágua criou um site onde se centralizam os pedidos de quem foi afetado pela tempestade, fazendo-os chegar a quem pode ajudar.
O empresário de Lisboa, de 44 anos, lançou o "TempestadeSOS" na sexta-feira, dois dias depois da catástrofe. Um amigo da Marinha Grande explicou-lhe o nível de devastação que atingiu a zona Centro e da qual "não fazia a mínima ideia".
"Aquilo está uma desgraça e este projeto é de todos, o ideal era que durasse pouco tempo, isso significaria que tudo tinha passado, mas isto é diferente", explica numa breve conversa telefónica, animado com o facto de ter hoje à disposição 15 voluntários que estão a ajudar a fazer "match" - encontrar a solução para os pedidos. Até ao momento foram quase 400 as solicitações que ali chegaram.
O site foi lançado em poucas horas, com a ajuda da inteligência artifical, mas rapidamente Ricardo percebeu que a resposta não podia ser um bot. "Precisavamos de pessoas que falassem com pessoas, com quem está aflito e a precisar de ajuda. O que mais nos pedem é lonas de plástico para tapar os telhados, que estão destruídos".
As lides na mobilização civil não surgiram com a depressão Kristin, Ricardo Paiágua já tinha lançado no ano passado o Portugal Sem Chamas e durante a pandemia também andou a percorrer o país, "cheguei a juntar 300 caravanas", relembra.
O pojeto que agora lançou, e que rapidamente chegou a milhares de utilizadores, nomeadamente através de partilhas nas redes sociais, está em permanente atualização. "Hoje, lançámos uma funcionalidade nova, em que as pessoas que não conseguem falar com familiares podem pedir-nos ajuda. Temos voluntários nas zonas afetadas que estão dispostos a ir até ao encontro de quem está isolado e sem comunicações e fazer esse reecontro à distância", explica.
Entre as informações centralizadas no site estão os locais onde as pessoas podem ir tomar banho, porque havia muitos pedidos nesse sentido. "Além dessa parte mais prática, temos ainda uma área admnistrativa, com minutas, porque depois vem essa parte mais burocrática".
Pedido para suspender as portagens
Um dos grandes pedidos de Ricardo é o de suspender as portagens nas zonas afetadas para que os voluntários não se vejam confrontados com despesas que penalizam "quem só tem boa vontade". "Há pessoas a dar tudo o que podem e que ficam revoltadas com isso, porque gastam 40 euros ou mais numa viagem, só para ajudar".

