
Subida das águas em Estorãos, Ponte de Lima, alagou campos e estradas
Foto: Direitos reservados
Mais de 370 ocorrências registadas pela Proteção Civil em 15 horas. Regiões Centro e Norte foram as mais afetadas. Cenário de inundações vai manter-se nos próximos dias.
Os efeitos da depressão Joseph, que se seguiu à Ingrid, começaram nesta segunda-feira a fazer sentir-se em Portugal, com especial incidência no Centro e no Norte. A subida das águas dos rios obrigou ao corte de dezenas de estradas e houve inundações e deslizamentos de terras, mas sem vítimas a registar pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Na Figueira da Foz, o agravamento do estado do mar dificultou as operações de socorro a um cargueiro que perdeu o leme, ficando à deriva, quando saía do porto comercial. No total, até às 15 horas, as autoridades tinham registado mais de 370 ocorrências devido ao mau tempo.
Coruche, Cartaxo, Santarém, Golegã e Salvaterra de Magos foram alguns dos concelhos, do distrito de Santarém, onde teve de ser encerrada a circulação em diversas vias, devido à subida do rio Tejo. As águas galgaram as margens, submergindo estradas. O motivo, segundo a ANEPC, prende-se com a precipitação que se registou nos últimos dias e com o "aumento dos caudais debitados pelas barragens espanholas". As autoridades alertaram que o cenário pode manter-se nos próximos dias e que pode provocar inundações urbanas.
Margem esquerda do rio Águeda voltou a subir. (Foto: Direitos reservados)
Na região de Aveiro, o local que mais preocupações causava era Águeda, habitual território de inundações. Contudo, devido às obras dos últimos anos, a malha urbana da cidade parecida estar a salvo da subida do rio. "Na margem direita [centro de Águeda], está tudo bem. Na esquerda, como já aconteceu cinco ou seis vezes este ano, é que tivemos de cortar estradas. Aí, não há obra que resolva, pois a água tem de passar", explicou ao JN Jorge Almeida, presidente da câmara, alertando para o encerramento da estrada que liga a Recardães e para a via de ligação a Espinhel, por exemplo.
Inundações
No Alto Minho, a subida da água dos rios também motivou o corte de várias estradas, tendo o concelho de Ponte de Lima sido um dos mais afetados. Cerca das 17.30 horas, segundo o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil, a já habitual subida das águas do Lima causou várias ocorrências, inundando o areal no centro da vila. Nas freguesias de Arcozelo, Estorãos, Correlhã e Facha, a circulação foi proibida em várias ruas.
Ao final da tarde, a subida do rio Coura, no concelho de Caminha, estava a impedir a circulação de trânsito na EM301, em Vilar de Mouros, junto à Ponte Românica. E a situação podia agravar-se durante a noite, devido à previsão de precipitação.
Guimarães foi outro dos concelhos afetados, com a Proteção Civil a ter pedido mesmo à população para evitar as zonas ribeirinhas. Devido à subida do caudal do rio Ave, a ponte de Barco encontrava-se cortada - com a água já na estrada - e, nas horas seguintes, estavam previstas descargas nas barragens a montante, que, juntamente com a chuva, podiam agravar a situação.
Estrada Nacional 103 esteve fechada ao trânsito no concelho de Barcelos. (Foto: JF Tamel S. Veríssimo)
A água do rio Este também galgou as margens, em Braga, alagando uma habitação, na rua dos Barbosas. Essa é, segundo Altino Bessa, vice-presidente da câmara, uma situação "recorrente", sempre que chove com mais intensidade, por se tratar de uma casa localizada "praticamente ao nível do caudal do rio". O autarca referiu, ainda, que na rua Amélia Bastos Leite - outro ponto crítico quando há precipitação intensa -, duas viaturas ficaram alagadas.
A Estrada Nacional 103 também foi cortada ao trânsito de veículos ligeiros na freguesia de Abade de Neiva, no concelho de Barcelos, devido à acumulação excessiva de água na via pública.
Navio sem risco
O mau tempo fez-se sentir também no mar, com a agitação marítima a ter dificultado as operações de resgate de um cargueiro que, ao que tudo indica, terá ficado encalhado à saída do Porto da Figueira da Foz.
A situação foi conhecida cerca das 12 horas, com o alerta de que o cargueiro corria o risco de naufragar, depois de ter perdido o leme - ao, alegadamente, ter batido no fundo, por causa da acumulação de areias -, ficando à deriva. Com bandeira dos Países Baixos e tendo a Alemanha como destino final, o navio de carga, carregado com celulose do grupo Altri, tentou manter algum rumo "navegando ao contrário, a andar para trás", explicou Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz.
Paulo Salvador Pires, comandante do porto, sublinhou que face ao agravamento do estado do mar, foi dada a indicação ao navio para se afastar gradualmente da costa. E, a meio da tarde, numa conferência de imprensa, garantiu que a situação do cargueiro já não oferecia "qualquer perigo, nem para a navegação nem para a guarnição" que se encontrava a bordo.
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Estuário do Douro
O comandante adjunto da Capitania do Douro, Pedro Cervaens, admitiu que o aumento das descargas nas barragens do rio Douro pode colocar em risco a navegação e as zonas ribeirinhas no estuário. A situação estava a ser monitorizada com a EDP.
Previsões
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, os efeitos da depressão Joseph iriam continuar durante a noite, estando prevista a "passagem de sucessivas ondulações frontais pelo menos até ao fim de semana".
