Sistema europeu de controlo de fronteiras suspenso por três meses no aeroporto de Lisboa

Governo suspendeu por três meses sistema europeu de controlo de fronteiras.
Foto: Líbia Florentino / Arquivo
O sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários vai ser suspenso por três meses no Aeroporto de Lisboa, uma decisão acompanhada pelo reforço imediato de militares da GNR, anunciou, nesta terça-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI).
Em comunicado, o Governo justificou a medida com o "agravamento dos constrangimentos na zona de chegadas" de passageiros provenientes de fora do Espaço Schengen, situação que se deve à implementação do novo sistema de Entrada/Saída da União Europeia (EES), que entrou em vigor a 12 de outubro. Nas últimas semanas, devido à época festiva, a situação agudizou-se.
Ao abrigo dos regulamentos europeus, o Executivo determinou o regresso ao modelo anterior de controlo, com base na leitura de passaporte e o carimbo manual. O cenário já tinha sido previsto pelo Governo há duas semanas, quando anunciou que estava a ser delineado um plano para evitar um ambiente caótico na capital. No início do mês, Hugo Espírito Santo, secretário de Estado das Infraestruturas, reconheceu falhas. "A situação das fronteiras é um embaraço para o Governo. Não tem outro nome. Temos que ter uma atitude de humildade e pedir desculpa", criticou o governante, em Macau.
Mais militares da GNR
Será efetuado um reforço de militares da GNR com formação certificada, bem como um aumento de cerca de 30% da capacidade dos equipamentos eletrónicos e físicos de controlo de fronteiras. Desde a entrada em funcionamento do EES, os atrasos no aeroporto de Lisboa multiplicaram-se, sobretudo após o início da recolha de dados biométricos. À chegada, turistas relataram filas superiores a oito horas. No Natal, o aeroporto já tinha sido reforçado com 80 agentes da PSP.
A suspensão temporária do sistema foi autorizada pela Comissão Europeia, mas motivou críticas políticas. José Luís Carneiro, líder do PS, acusou o Governo de "impreparação e incompetência": "Mostra o falhanço deste Governo no planeamento da resposta ao pico da procura".

