
Manuel João Vieira conseguiu ultrapassar Jorge Pinto, apoiado pelo Livre
Foto: João Relvas/Lusa
Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto e André Pestana deram indicação clara de voto para a segunda volta em António José Seguro. O candidato apoiado pelo Livre foi ultrapassado por Manuel João Vieira, vocalista dos Ena Pá 2000.
Catarina Martins (2,05%)

Foto: André Kosters/Lusa
Assumiu o peso da derrota expressiva e admitiu que o resultado "ficou muito abaixo do que esperava", numa campanha em que considerou que "poderia ter feito muitas coisas melhor". "Fiz o melhor que pude e o melhor que soube", resumiu.
A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda não se alongou em mais justificações, limitando-se a agradecer aos apoiantes e a garantir que, no futuro, estará nas "tantas lutas" a travar pela Esquerda. Também atribuiu ao voto útil parte da responsabilidade daquilo que foram os números finais. "Nunca houve uma eleição presidencial como esta, em que a pressão para votar taticamente foi tão determinante. Essa pressão foi reforçada por sondagens que abriam a possibilidade de uma segunda volta entre a Direita e a extrema-direita, que não tinha qualquer credibilidade", descreveu.
Clarificou ainda que a "resposta adequada" aos números da primeira volta das presidenciais é "votar em António José Seguro na segunda". A sua posição foi, aliás, seguida pouco depois pelo coordenador do BE, José Manuel Pureza, que vai propor essa mesma orientação à Mesa Nacional do partido. "Será uma mobilização total, por parte do BE, para derrotar a extrema-direita", referiu Pureza.
Numa leitura global dos resultados, Catarina Martins referiu que "a hecatombe dos resultados de Marques Mendes é a hecatombe do Governo e de Luís Montenegro". E concluiu que "a Direita está num processo de trumpização em Portugal".
António Filipe (1,65%)

Foto: António Cotrim/Lusa
Atribuiu aquele que foi o pior resultado de sempre de um candidato presidencial suportado pelo PCP ao "receio de que pudesse haver dois candidatos mais à Direita na segunda volta". Num hotel em Lisboa onde foi analisando o evoluir da contagem de votos, o ex-vice-presidente da Assembleia da República e antigo deputado recordou que, durante a campanha eleitoral, "houve pressões muito grandes" no sentido do voto útil.
Ainda assim, garantiu não estar arrependido de ter concorrido a Belém. "Valeu a pena", resumiu. Falando da segunda volta e dos seus protagonistas, António Filipe sugeriu o voto em António José Seguro a 8 de fevereiro. "O apelo não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato, apenas a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura", justificou.
Manuel João Vieira (1,08%)

Foto: João Relvas/Lusa
Foi o primeiro candidato presidencial a reagir aos resultados, quando ainda nem sequer os havia claros, apenas projeções das sondagens televisivas. Prometeu falar às 20.13 horas e cumpriu ao segundo. Confrontado com o oitavo lugar que o colocou à frente de, por exemplo, Jorge Pinto, mostrou sentimentos agridoces.
"Por um lado é uma vitória, por outro uma desvitória (sic). Se fosse sétimo seria melhor, mas oitavo é melhor do que décimo", referiu o vocalista de bandas como os Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, em declarações desde a Padaria do Povo, em Lisboa, onde acompanhou a noite eleitoral. "Esta vitória é uma derrota, esta derrota é uma vitória", adiantou Manuel João Vieira, que teve mais de 60 mil votos, o equivalente a um estádio de futebol.
Numa análise global, considerou "preocupantes" os números obtidos por André Ventura. "Houve medo da parte dos eleitores de uma picardia entre o Seguro e a outra direita liberal", frisou.
Para o futuro e outra eventual corrida presidencial, disse aguardar por mais meios que lhe permitam percorrer o país em campanha. "Espero que com alguns fundos que me possam colocar a caminhar pelo país com um papamóvel, para ser mais confortável". Mas deixou uma garantia clara: "vestindo outros trajes, mais velho, voltarei".
Jorge Pinto (0,68%)

Foto: Estela Silva/Lusa
Candidato apoiado pelo Livre e a quem as primeiras projeções não atribuíam mais do que 1% dos votos - com 99% dos votos apurados ficou mesmo abaixo dessa marca, 0,68% -, admitiu que vai votar em António José Seguro na segunda volta. "Disse na campanha que não seria por mim que Seguro não seria presidente da República. Digo agora que por mim vai ser presidente da República. E vou apelar a que o meu partido preste o mesmo apoio", sustentou, no Cine-Teatro de Amarante, a terra natal, onde seguiu a par e passo a noite eleitoral. "Teremos duas escolhas pela frente: alguém que se revê na Constituição e alguém que se opõe e a quer alterar drasticamente para pior", explicou, referindo-se a Seguro e André Ventura.
Apesar do resultado magro, Jorge Pinto não falou num mau resultado e disse mesmo que "objetivo foi cumprido" ao "colocar na agenda" temas como a regionalização e a saúde. "Foi apenas o começo", disse.
André Pestana (0,19%)

Foto: Paulo Novais/Lusa
Ficou em penúltimo lugar nas escolhas dos eleitores que foram às urnas para eleger o próximo presidente da República. Obteve apenas 0,19%, correspondentes a quase 11 mil votos. Um apoio escasso não teve respaldo sequer na cidade Coimbra, de onde é natural, e na qual não conseguiu obter mais do que 184 votos (0,24%), ficando mesmo abaixo da sua média nacional. Lamentou o "fortíssimo voto útil" à esquerda do eleitorado e garantiu que votará Seguro porque Ventura "era o pior que podia acontecer à sociedade portuguesa".
Humberto Correia (0,08%)

Foto: Luís Forra/Lusa
Ao contrário de André Pestana, o candidato que angariou menos votos nestas eleições, reagiu à votação com desalento. "Foi mais do mesmo. As pessoas criticam, lamentam-se, queixam-se, mas não querem mudança", desabafou. O candidato algarvio não descartou voltar a candidatar-se em 2031.

