Violência

Casal de médicos sequestrado por doente no Hospital de Setúbal

Casal de médicos sequestrado por doente no Hospital de Setúbal

Médica ameaçada chamou o marido. Foram atingidos com cadeiras e mesa. Polícia forçada a arrombar porta.

Um casal de médicos foi agredido no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, no último dia do ano, por um doente que terá aguardado cerca de quatro horas nas urgências para ser atendido. O agressor começou por ameaçar a médica, que gritou pedindo auxílio ao marido, também ele clínico. Os dois acabaram sequestrados dentro do gabinete e alvo de violência do doente, que lhes atirou as cadeiras e a mesa para cima. O agente da PSP de serviço no hospital teve de arrombar a porta para pôr termo às agressões.

O episódio, que aconteceu quatro dias após uma médica de 65 anos ter sido espancada por uma doente na mesma unidade, está a ser investigado pelo Ministério Público. A PSP não tipificou imediatamente os crimes em causa nem procedeu a qualquer detenção, uma vez que o agressor tem uma versão diferente.

O JN apurou junto de fontes hospitalares que o doente sexagenário terá esperado longas horas até ser chamado. Desagradado, o paciente começou por agredir verbalmente a médica, Joana, que perante tal comportamento gritou pelo marido, João, também contratado no São Bernardo.

Já dentro do gabinete, os dois clínicos viram-se encurralados pelo doente, que trancou a porta e começou a arremessar as cadeiras e a mesa. Alegadamente, adiantaram ao JN as mesmas fontes, o médico terá entrado em confronto físico com o doente até que o agente da PSP, que está de serviço remunerado no São Bernardo, pôs cobro à contenda, forçando a entrada na sala. Confrontado pelo JN, o Hospital de Setúbal não confirmou as agressões. Já a PSP não deu resposta até ao momento.

Este caso aconteceu no mesmo dia da agressão a um médico em Moscavide, que ficou ferido num olho e com uma costela fraturada, noticiado, ontem, pelo JN. A vítima, Vítor Manuel Silva Santos admitiu que "estes episódios são cada vez em maior número".

"Os doentes estão a responder cada vez de forma mais violenta às esperas ou a fechos de atendimentos complementares a partir de determinada hora, como aconteceu contra uma funcionária em Moscavide, no dia 27, pelas 19.15 horas", disse ao JN, revelando falta de condições dos clínicos.

"Há medidas que não são caras para pôr cobro a isto. Se há algo que a ministra ou os secretários de Estado podem fazer é ir aos sítios e perceber por que episódios destes acontecem. Ali, além da configuração das salas, que me impediu de fugir - porque os médicos têm que passar pelos doentes -, os telefones não funcionam há bastante tempo. Nem uma chamada eu poderia ter feito", disse.

Pedidas medidas objetivas

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) aponta o dedo à ministra por estes casos. "Tem de assumir a defesa dos profissionais de saúde, dar-lhes uma palavra de conforto e segurança e apresentar medidas objetivas para minimizar estes casos", afirmou ao JN Miguel Guimarães. A OM emitirá hoje um comunicado, a aconselhar os médicos a recusarem trabalhar se não houver condições de segurança clínica e físicas.

A propósito do primeiro caso de Setúbal, o Sindicato Independente dos Médicos também criticou as "declarações vagas" de Marta Temido, a quem pede condições para dar mais segurança aos profissionais.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT) repudiou a agressão em Moscavide, manifestando apoio e solidariedade às vítimas e garantindo que vai pugnar para que "a violência nas unidades de saúde não aconteça".

Ler mais na edição impressa ou versão e-paper.

Outras Notícias