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CDU sofre queda histórica, mas Jerónimo continua aberto a "convergência"

CDU sofre queda histórica, mas Jerónimo continua aberto a "convergência"

CDU elege metade dos deputados, com históricos como João Oliveira e António Filipe de fora. Culpa "bipolarização artificial" entre PS e PSD

Foi o pior resultado de sempre para a CDU, que conseguiu uma votação de 4% e eleger apenas cinco (?) deputados. O secretário-geral do Partido Comunista, Jerónimo de Sousa, encerrou a noite mais cedo do que o habitual, admitindo que os resultados traduziram "um retrocesso eleitoral com significativa quebra de deputados, inclusive a representação institucional do PEV". Mas manifestando abertura a entendimentos com o PS.

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"[os resultados]Ficam aquém do trabalho realizado (...). Claro que é uma perda, não estamos propriamente felizes, embora estejamos conscientes da dureza com que travamos esta batalha", admitiu o líder comunista.

A noite foi de apreensão no hotel escolhido pelos comunistas para acompanharem a noite eleitoral. Os resultados preliminares pouco animadores obrigaram Jerónimo de Sousa a intervir mais cedo. Nunca assumindo totalmente a derrota, criticou o "comportamento do partido socialista" que sempre apelou ao voto útil. "São meses e meses a falar-se da bipolarização (dos dois maiores partidos) e empate técnico" nas sondagens, apontou.

Ao início da noite, quando começaram a surgir os primeiros resultados, o dirigente comunista Jorge Pires também considerou que a "fortíssima bipolarização artificial" entre PS e PSD prejudicou a votação da CDU, que considerou não corresponderem ao trabalho desenvolvido pela coligação na campanha e no tempo da geringonça.
Apear deste cenário, Jerónimo reafirmou "disponibilidade para uma convergência". O PS "no mínimo devia reconhecer um papel decisivo e importante ao PCP e a "Os Verdes", que sempre procuraram dar uma contribuição concreta" para a resolução dos problemas do país.

Num discurso interrompido várias vezes pelos aplausos e cânticos dos militantes, Jerónimo de Sousa disse ainda que se passar a ter metade dos deputados seguramente estes "serão deputados excelentes". Nas últimas legislativas a CDU conseguiu 12 assentos no Parlamento, os mesmos que em 2002, sendo este, até ontem, o número mínimo de deputados que os comunistas tinham elegido.

Numa noite com grandes perdas para a CDU em todo o país, o líder parlamentar da bancada do PCP, João Oliveira, candidato pelo círculo eleitoral de Évora, também acabou por não conseguir ser reeleito.

Numa campanha atípica, que Jerónimo teve de abandonar para ser submetido a uma intervenção cirúrgica, João Oliveira foi o rosto de grande parte da campanha. À semelhança de João Ferreira, era apontado como um possível sucessor do atual secretário-geral do PCP. António Filipe, um histórico dirigente comunista, também falhou a eleição pelo círculo de Santarém.

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