Polémica

Sorrisos à saída de São Bento. Costa reafirma confiança em Centeno

Sorrisos à saída de São Bento. Costa reafirma confiança em Centeno

Após a polémica com a transferência de 850 milhões para o Novo Banco, António Costa reafirmou a confiança em Mário Centeno, com quem esteve reunido esta noite em São Bento.

O encontro na residência oficial do primeiro-ministro em São Bento foi revelado pela RTP, cerca das 21 horas. A reunião terminou pelas 23 horas, quando António Costa e Mário Centeno saíram juntos e sorridentes do edifício.

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"O primeiro-ministro reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno", lê-se num comunicado divulgado por São Bento.

"A reunião de trabalho" serviu para preparar "a próxima reunião do Eurogrupo, que terá lugar na sexta-feira", e definir "o calendário de elaboração do Orçamento Suplementar que o Governo apresentará à Assembleia da República durante o mês de junho" devido à pandemia. "Ficaram ainda esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou", refere a nota divulgada por São Bento.

"Ficou também confirmado que as contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo", acrescenta o gabinete de Costa, sublinhando que este processo "não compromete a conclusão prevista para julho da auditoria em curso (...) relativa ao exercício de 2018 que foi determinada pelo Governo".

Numa mensagem divulgada no Instagram, António Costa voltou a manifestar confiança em Centeno.

Rio pediu demissão de Centeno, Marcelo elogiou Costa

António Costa chamou Mário Centeno pouco depois de Rui Rio ter considerado que o ministro não tinha "condições para continuar" no Governo e que seria uma má decisão se António Costa mantivesse "um ministro que não lhe foi leal". E no dia em que o presidente da República, quando questionado sobre o assunto, considerou que o primeiro-ministro "esteve muito bem" ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período 2000-2018.

Em causa está a transferência de 850 milhões de euros para o Fundo de Resolução destinado à recapitalização do Novo Banco. Esta operação ocorreu na véspera do debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento mas, em resposta a Catarina Martins, Costa respondeu que tal só iria acontecer depois de se conhecerem os resultados da auditoria em curso ao banco. Afinal, o líder do Governo não tinha sido ainda informado, facto pelo qual pediu desculpa ao BE.

Os 850 milhões de euros foram transferidos para o Fundo de Resolução sob a forma de um empréstimo, que injetou 1037 milhões de euro no Novo Banco. O dinheiro destina-se a compor as contas do Novo Banco de 2019. Na quarta-feira de manhã, o ministro das Finanças rejeitou que a injeção tenha sido feita à revelia do primeiro-ministro.

O governante afirmou que "não há transferências nem empréstimos feitos à revelia de ninguém", explicando que "a ficha de apoio ao senhor primeiro-ministro chegou com um par de horas de atraso, e o senhor primeiro-ministro, quando deu a resposta que deu, não tinha à frente dele a informação atualizada".

Na terça-feira, em entrevista à TSF, o ministro das Finanças admitiu uma falha de comunicação entre o seu gabinete e o do primeiro-ministro quanto à injeção de capital no Novo Banco, mas "não uma falha financeira", que seria desastrosa.

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