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Costa e o Governo afundam-se, Marcelo continua em perda

Costa e o Governo afundam-se, Marcelo continua em perda

Pensionistas juntam-se ao castigo ao primeiro-ministro e contribuem para uma segunda avaliação negativa consecutiva na sondagem no barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF. Presidente da República tem saldo muito positivo, mas é o mais baixo desde julho de 2020.

O ambiente político está a degradar-se e todos pagam uma parte da fatura: António Costa desde logo, mas também Marcelo Rebelo de Sousa. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF, o primeiro-ministro e o seu Governo afundam-se na avaliação dos portugueses. O presidente da República continua com saldo positivo (24 pontos), mas está em queda desde dezembro do ano passado.

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Foi há seis meses que o Governo tomou posse. Mas o estado de graça do primeiro-ministro durou pouco. Com a maioria absoluta não veio, como se previa, a estabilidade política. O barómetro de julho já assinalava uma situação muito rara: António Costa registava um saldo negativo na avaliação dos portugueses (dois pontos). Chegados a outubro, os resultados mostram uma situação inédita: duas avaliações seguidas em terreno negativo e o pior resultado de sempre do primeiro-ministro (oito pontos de saldo negativo) desde que se iniciou esta série de barómetros, em julho de 2020.

Mais velhos castigam Costa

Os sucessivos casos e as controvérsias com ministros contribuíram para a degradação, mas talvez seja a crise económica e, em particular, o aumento do custo de vida que dão o empurrão final. Quando se analisam as avaliações ao líder do Governo entre os diferentes segmentos em que se divide a amostra, há uma alteração fundamental face a barómetros anteriores: os inquiridos com 65 ou mais anos, os que lhe garantiam sempre mais aplausos, deixaram de lhe dar o benefício da dúvida e o saldo é, agora, negativo (nove pontos). Um reflexo do desagrado com a solução para as pensões, como demonstram os resultados da sondagem que divulgamos na sexta-feira: cerca de 70% dos inquiridos das duas faixas etárias mais velhas consideram que a "meia pensão" é uma medida negativa que penaliza as pensões futuras.

Para a queda de António Costa também contribuiu a mudança de avaliação entre os que habitam nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, bem como os dois escalões sociais de menores rendimentos (em todos os casos, passou de saldo positivo em julho, para negativo agora). Os únicos que não abandonam o primeiro-ministro são os que votam no PS (consegue um saldo de 66 pontos positivos). O problema é que tudo indica que o eleitorado socialista estará a encolher (domingo, com a publicação de uma projeção sobre legislativas, veremos se é assim ou não).

Descida contínua de Marcelo

O presidente da República continua a ser o político mais popular do país. E está muito acima do primeiro-ministro (24 pontos de saldo positivo). Mas a trajetória deste ano tem sido de descida. E este é o pior barómetro de sempre para Marcelo Rebelo de Sousa, com a percentagem mais baixa de avaliações positivas (49%) e a mais alta de negativas (25%). O inquérito não inclui perguntas que ajudem a explicar as razões para a queda, mas adivinha-se que também estará a pagar o preço da degradação da situação económica e social. E à acusação, pela Oposição, de estar demasiado colado ao Governo.

Quando se analisam os segmentos da amostra, percebe-se que, no que diz respeito à geografia, e apesar de manter um saldo positivo em todas as regiões, foi em Lisboa que a queda foi mais acentuada (de um saldo positivo de 46 pontos, em julho, para os 16 atuais). No que diz respeito à idade, os mais velhos ainda são os que lhe dão mais avaliações positivas (53% agora, 64% em julho), mas já não é aí que tem o melhor saldo (24 pontos agora, 37 em julho). Estariam os seniores à espera que o presidente confrontasse o Governo com a solução para as pensões?

Para além de Marcelo, só há mais um dirigente político que se pode gabar de ter um saldo positivo entre os portugueses: a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva (oito pontos, mas em queda). No outro extremo da avaliação, no que a ministros diz respeito, está o das Finanças, Fernando Medina. Neste último barómetro, consegue ficar pior do que Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas (e da novela do aeroporto).

O também ex-presidente da Câmara de Lisboa já começou estes barómetros em terreno negativo, mas desde abril que vai caindo sempre mais fundo: o saldo negativo é agora de 27 pontos (era de 12 em julho), destacando-se o trambolhão entre os mais velhos (ou seja, os pensionistas), que passaram de avaliação positiva para negativa. Resta-lhe o eleitorado do PS, mas com margem cada vez mais estreita.

Pedro Nuno Santos já não é o pior ministro deste Governo, mas continua com um saldo negativo (21 pontos agora, 32 em julho). O tempo foi passando sobre a desautorização de António Costa na questão do novo aeroporto de Lisboa e os primeiros a perdoar ao ministro das Infraestruturas foram os que votam no PS, onde consegue desta vez um saldo positivo.

Carneiro no vermelho

O ministro da Administração Interna, que esteve sempre no fio da navalha, é igualmente prejudicado pelo atual clima de crise, e passa de saldo positivo (dois pontos) para negativo (três pontos). Ao contrário de Medina, são os mais velhos que evitam uma queda mais pronunciada de José Luís Carneiro: em contraciclo com outras figuras políticas, melhora o seu resultado e tem 18 pontos de saldo positivo entre quem tem 65 ou mais anos.

Uma última nota para a estreia de Manuel Pizarro nestes barómetros. Ainda sem grandes conclusões para tirar, uma vez que o trabalho de campo decorreu poucos dias depois de ter sido nomeado ministro da Saúde. Menos mal que, em tempos agrestes para o Governo, se estreie com saldo zero. Mas, somados os que se refugiam numa resposta neutra aos que não sabem ou não respondem, temos 70% dos inquiridos. Vai ser preciso esperar até ao final do ano para fazer uma avaliação mais informada.

47% Quando confrontados com uma escolha entre Marcelo e Costa, a maioria dos portugueses cai para o lado do presidente (47% face a 14% para o primeiro-ministro). Na confiança, não muda quase nada desde julho, uma vez que a distância se mantém nos 33 pontos.

74% Continua a ser muito elevada a percentagem de inquiridos que pedem ao presidente que seja mais exigente com o Governo. Mais um ponto percentual que em julho e mais sete do que em abril. E são cada vez menos (16%) os que não encontram razões para mais exigência.

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