Vitória absoluta

Costa emocionado promete "maioria de diálogo"

Costa emocionado promete "maioria de diálogo"

Líder do PS diz que vitória foi "cartão vermelho" à crise política e garante que irá reunir com todos, menos Chega. Pedro Nuno foi "surpreendido".

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Os apelos à maioria absoluta de que António Costa abdicou na segunda semana da campanha tinham, afinal, toda a razão de ser: ontem, o PS conseguiu eleger mais de metade dos deputados do Parlamento e ganhou a possibilidade de governar sozinho. Contudo, um emocionado líder socialista garantiu que não o fará: esta será uma "maioria de diálogo", frisou, assegurando mesmo que quer reunir-se com todos os partidos, à exceção do Chega. Esta é a segunda maioria absoluta da história do PS.

"O povo votou e o PS ganhou", afirmou António Costa no hotel Altis, em Lisboa, recebendo uma ovação dos socialistas que lotavam a sala. "Os portugueses confirmaram hoje [ontem], de modo inequívoco, o que já tinham dito há dois anos: que desejam um Governo do PS para os próximos quatro anos", acrescentou.

Uma das várias ovações da noite ocorreu quando Costa confirmou aquilo que, com o avançar das horas, passou de hipótese remota a desfecho provável: "O PS terá eleito entre 117 e 118 deputados", revelou, assegurando a conquista da maioria absoluta - que, recorde-se, é atingida com 116 parlamentares.

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"Os portugueses mostraram um cartão vermelho a qualquer crise política", atirou o atual e futuro primeiro-ministro, visando sobretudo a Esquerda - que, recorde-se, sempre responsabilizou pelo chumbo do Orçamento e consequente dissolução do Parlamento. No entanto, feito esse breve ajuste de contas, Costa abriu a porta à negociação, tal como já tinha feito na reta final da campanha.

"Uma maioria absoluta não é poder absoluto, não é governar sozinho", afirmou. "É uma responsabilidade acrescida, é governar para todos os portugueses. Assim, esta maioria absoluta será uma maioria de diálogo com todas as forças da Assembleia da República", garantiu.

Na campanha, quando trocou os pedidos de maioria absoluta pelos apelos ao diálogo "com todos", o secretário-geral socialista nunca esclareceu se preferia chegar-se à Esquerda ou ao PSD. Ontem, quando já não precisava de fazer esse esclarecimento, manteve-se fiel à narrativa, comprometendo-se a promover "reuniões com todas as forças políticas, com excepção daquela que já disse", afirmou, referindo-se ao Chega. "Não faz sentido", realçou.

Sala lotada

Costa, que foi recebido em total euforia por uma sala sobrelotada - cuidados sanitários ficaram à porta -, respondeu à letra quando questionado sobre se o presidente da República ajudará a que este Governo maioritário "não pise o risco". "O primeiro garante de que não pisaremos o risco sou eu próprio", afirmou, recebendo incentivos dos presentes. Dito isto, revelou querer "reconciliar" os portugueses com as maiorias absolutas - ele que chegou a dizer que o país não gostava de Executivos a governar nesses moldes.

Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, prometeu manter a "cooperação", lembrando que "nunca houve um período tão longo" no país em que o diálogo com o presidente tenha sido "tão construtivo como nos últimos seis anos", frisou. Não quis adiantar pormenores sobre o seu próximo Governo, mas revelou que ele será mais "curto" e "enxuto", como uma "task-force".

Ao JN, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, admitiu ter sido "surpreendido" com a conquista da maioria absoluta. Garantiu que, apesar dela, "a disponibilidade para conversar mantém-se", argumentando que, desde os tempos de autarca, Costa já deu "mais do que mostras" de saber conversar.

Apontado como sucessor de Costa, Pedro Nuno afastou a hipótese de, face ao resultado conseguido com o atual secretário-geral ao leme, adotar uma postura mais recatada. "Essa questão não se coloca e não se colocava, portanto estamos iguais. É preciso é continuarmos a trabalhar para que o PS continue a ajudar o país a desenvolver-se. Eu sou mais uma peça dentro do PS para colaborar nesse objetivo".

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