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Estudantes já doaram 70 toneladas de produtos ao Banco Alimentar

Estudantes já doaram 70 toneladas de produtos ao Banco Alimentar

Projeto social do Instituto Superior de Agronomia foi criado em 2011. Alunos plantam e colhem vegetais para centenas de famílias carenciadas.

Debaixo de um sol intenso, com os termómetros a baterem quase nos 40 graus num dos dias mais quentes em Lisboa, Catarina Góis não perde o entusiasmo. "Temos 2 mil couves para apanhar", diz despachada a aluna do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa. Outros três colegas que a vão ajudar na missão aparentemente impossível chegam pouco depois numa carrinha do Banco Alimentar Contra a Fome, que foram buscar à instituição social e onde voltarão para entregarem os vegetais.

Fazem parte do projeto SolidarISA, criado em 2011, através do qual plantam sobretudo vegetais nos terrenos agrícolas do Instituto de Agronomia, na Tapada da Ajuda, e depois doam-nos a famílias carenciadas através do Banco Alimentar que os inclui nos cabazes. Em onze anos, ofereceram 70 toneladas de couves, alfaces, cebolas, alho, grão, entre outros legumes, e trigo depois transformado em massa, produtos cujo valor comercial rondou entre os 60 e os 80 mil euros. A presidente da federação portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet, diz ao JN que o projeto já ajudou "centenas de famílias".

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Gonçalo Carreira, no 3.º ano da licenciatura em engenharia agronómica, apanha couves com uma destreza que salta à vista. "Já ajudava os meus pais, com negócios na área, em criança. Estou habituado", explica. É que para não deixar o SolidarISA morrer é preciso "pôr as mãos na terra", tarefa que já não cativa todos os 14 alunos da equipa. "Isto é trabalhoso, ninguém gosta de andar a apanhar couves com este calor", diz Bernardo Machado, no 4º ano, enquanto tenta convencer outros colegas por telemóvel a virem ajudar.

Da terra para a mesa
Antes da colheita, no início do ano, andaram de trator a lavrar parte dos cerca de 4,5 hectares destinados às plantações. São os alunos que também ligam o sistema de rega e decidem o que semear e pedem a quantidade que querem às várias entidades parceiras do projeto. "Dependemos das empresas. Pedimos 5 mil quilos de um produto, mas se os viveiros só tiverem 2 mil fazemos com o que nos dão", explica Catarina Góis. Só no ano passado, colheram 10 mil quilos de trigo, o que deu origem a 4830 quilos de esparguete. Produziram o cereal durante quatro anos seguidos, mas em 2021 mudaram de cultura.

Fracasso
Este ano, plantaram grão, mas não correu bem. "Infelizmente foi um fracasso", lamenta Bernardo. Francisco Carvalho conta que "não choveu e esteve muito calor, o que fez com que a semente morresse". Acabaram por plantar 5700 cebolas, das quais apanharam mil quilos, em fevereiro, e 2 mil couves de três variedades (coração de boi, lombarda e portuguesa) das quais apanharam 710 quilos, em julho. Durante cinco horas, os quatro alunos encheram dezenas de caixas com os vegetais, que chegarão agora às mesas de muitas famílias desfavorecidas.

Apoio de parcerias
O SolidarISA foi criado pela iniciativa de dois alunos do ISA, José Goes e Tomás Coimbra. O projeto teve o patrocínio do Banco Santander Totta até este ano, que já não contou com este apoio. Várias empresas do setor agrícola, algumas de ex-alunos do ISA, ajudam voluntariamente na cedência de adubos, sementes ou sistemas de rega. Patrocinadores apoiam também no acompanhamento técnico dando dicas para as plantações.

SolidarISA no Mundo
Projeto foi replicado noutras universidades internacionais, como na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em São Paulo, no Brasil, e na Universidade de Córdoba, em Espanha.

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