Pedrógão Grande

Costa: É preciso que o país se habitue a não aguardar por tragédias

Costa: É preciso que o país se habitue a não aguardar por tragédias

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que o país tem de se habituar "a não aguardar pelas tragédias" para dar importância àquilo que é estrutural, elegendo a floresta e o Interior como prioridades.

"É preciso que o país se habitue a não aguardar pelas tragédias para dar importância àquilo que é verdadeiramente estrutural", frisou António Costa, recordando, após a missa em memória das vítimas dos incêndios de há um ano, realizada na vila de Pedrógão Grande, que o Governo arrancou ainda em 2016, antes dos grandes fogos, com a reforma da floresta e a criação da Unidade para a Missão de Valorização do Interior.

Segundo o primeiro-ministro, há duas questões estruturais que o país tem de enfrentar e para as quais hoje, "infelizmente, está mais alerta do que devia ter estado a tempo e horas": as necessidades de revitalizar o interior e de concretizar a reforma da floresta.

António Costa realçou ainda a capacidade de resiliência e de superação das populações, considerando que são "uma força inspiradora". À saída da missa em memória das vítimas dos incêndios, na vila de Pedrógão Grande, destacou a capacidade de reconstrução na região.

"É uma força inspiradora para todos nós vermos como as pessoas, perante a tragédia, perante o drama que sofreram, em vez de abandonarem, em vez de desistirem, estão aqui prontas para a luta, para reconstruir este território e reconstruírem as suas vidas", frisou.

O primeiro-ministro realçou que apenas três pessoas não tiveram vontade de reconstruir as suas casas de primeira habitação e que a generalidade das empresas afetadas decidiu avançar com a reposição do potencial produtivo. "Hoje, é um dia em que nos curvamos perante a memória daqueles que faleceram, que relembramos a dor daqueles que perderam os seus familiares, daqueles que ficaram feridos graves e que ainda hoje padecem do sofrimento e do trauma deste incêndio", disse.

No entanto, para lá da dor e do luto, António Costa destacou a "esperança e a força extraordinária que toda a população tem demonstrado", mostrando-se capaz de "se reconstruir e de reconstruir este território".

O incêndio que deflagrou há um ano em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), em 17 de junho, e alastrou a concelhos vizinhos provocou 66 mortos e cerca de 250 feridos.

As chamas, extintas uma semana depois, destruíram meio milhar de casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

Em outubro, os incêndios rurais que atingiram a região Centro fizeram 50 mortes, a que se somam outras cinco registadas noutros fogos, elevando para 121 o número total de mortos em 2017.

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