Relatório

Mais de metade das estradas têm má ou muito má qualidade

Mais de metade das estradas têm má ou muito má qualidade

Análise a quase cinco mil quilómetros, de 37 vias nacionais e itinerários principais com maior sinistralidade, apenas classifica cerca de 6% com quatro e cinco estrelas.

Somente 6% de 4880 quilómetros das principais estradas nacionais com mais vítimas mortais no país têm boa ou muito boa qualidade para automobilistas, motociclistas, peões e ciclistas. Pelo contrário, há todo um universo de mais de 2500 quilómetros de vias [52%] com más ou muito más condições de circulação, concentrando-se a maioria no Centro e no Sul. Sobram 2052 quilómetros que até são razoáveis mas que carecem de investimento, que deve ser feito ouvindo as populações.

Este é o retrato da rede rodoviária, feito no ano de 2018 pelo Programa Europeu de Avaliação de Estradas (EuroRap, na sigla em inglês), revelado esta sexta-feira pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Segundo a organização não governamental europeia - que analisou 57 troços de 37 vias nacionais e os classificou com base numa escala entre uma [piores] e cinco estrelas [melhores] -, os maiores problemas prendem-se com o mau estado do piso, falta de visibilidade de traçados e de separadores laterais.

Dos 4880 quilómetros, foi no Norte que a EuroRap encontrou os melhores troços. Conforme foi descendo para Sul, o mapa de risco começou a ficar mais negro, com as estradas do Centro e as alentejanas a serem as piores. Porém, há vias também no Norte chumbadas, como são os casos dos troços da EN202, de Melgaço a Monção e de Viana do Castelo ao Soajo.

Estradas não são para motos

Apenas 58 quilómetros foram considerados seguros para a circulação de motociclistas, em contraste com 3601 quilómetros a evitar por estes veículos. É o pior resultado dos parâmetros analisados. As vias nacionais também não são melhores para os ciclistas: só 97,2 quilómetros receberam quatro e cinco estrelas. Naquelas vias, onde entre 2015 e 2017 houve 141 vítimas mortais por ano, em média, 136 quilómetros não representam perigo para os peões. E os automobilistas podem confiar em 300 quilómetros de vias com boa qualidade - os tais 6%.

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Falta de bermas e passeios, traçados que não se veem e inexistência de separadores centrais são algumas das causas para a classificação, sendo que o nível de risco foi calculado com base, entre outros fatores, numa velocidade alta.

O EuroRap aconselha um investimento nas vias, salientando que "o estudo demonstrou que é importante assegurar que as comunidades locais tenham a oportunidade de contribuir para o desenho das vias".

Questionada pelo JN, a ANSR optou por não se pronunciar sobre este estudo.

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