Covid-19

Médico faz horas extra para tratar da saúde em grupo online

Médico faz horas extra para tratar da saúde em grupo online

Médico de Aveiro, afastado das filhas há semanas, responde a dúvidas no Facebook.

Jorge Velez, 44 anos, trabalha no Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro. É médico, especializado em doenças infecciosas. Há mais de três semanas que não vê as duas filhas. Nem ele, nem a mulher, também médica, também a trabalhar com doentes infetados com Covid-19. As filhas estão com familiares, a quase 300 km de distância. "Desde essa altura, quase que nos cingimos apenas ao contacto com pessoas no hospital e a estar em casa", conta.

Integra o grupo de Facebook "COVID19 dúvidas respondidas por profissionais de saúde", criado a 15 de março, que presta esclarecimento público sobre a pandemia.

"Numa fase inicial, quando havia uma enorme quantidade de questões, filtrava as que não estavam relacionadas com o objetivo e, ao mesmo tempo, tentava responder especialmente às questões mais relacionadas com a minha área: manifestações da doença, grupos de risco, atitudes para minimizar o contágio, etc.". Também aprovava novos membros e avaliava denúncias de comentários impróprios. Agora, tenta selecionar as "poucas perguntas" que acha ainda sem resposta.

Informação salva vidas

No grupo, seguido por mais de 620 mil pessoas, já foram feitas cerca de 20 mil perguntas e registadas dois milhões de interações. "Mostra a necessidade de esclarecimento que existe fora dos canais mais convencionais".

A maioria das dúvidas colocadas poderiam ser esclarecidas no site da Direção-Geral da Saúde, mas o médico acredita que persistem "por dificuldade na "tradução" das explicações para os leigos na matéria".

No entender de Jorge Velez, esta iniciativa de voluntários, assoberbados nas unidades de saúde onde prestam serviço, e que usam o pouco tempo livre que resta para ajudar pode ter salvado vidas.

"Fornece as ferramentas básicas para que as pessoas tenham práticas mais seguras ou até procurem os cuidados de saúde quando adequado. Por isso, acho que, pelo menos indiretamente, casos de doença foram evitados e, potencialmente, vidas podem ter sido salvas".

Liga-se ao grupo criado por duas médicas, uma delas sua amiga, quando lhe sobra uma réstia de energia. Perspetiva continuar o trabalho "assistindo a doentes com Covid-19" e outras doenças que surjam e que não desapareceram com a pandemia, acreditando que "as horas extras não-oficiais", que todos têm realizado "provavelmente nunca vão ser remuneradas". No mínimo, serão reconhecidas pelos portugueses.

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