Política

Militantes do PSD da Madeira ameaçam travar eleição

Militantes do PSD da Madeira ameaçam travar eleição

A 11 dias das diretas no PSD, quatro dirigentes sociais-democratas da Madeira entregaram um pedido de impugnação das regras impostas pela direção de Rui Rio aos militantes para o pagamento de quotas, acenando com o risco de as eleições no partido virem a ser impugnadas a partir da região.

Em causa está a alegada violação da autonomia estatutária do PSD/Madeira, ao obrigar os militantes da região a pagar quotas à sede nacional em vez de ser às comissões de freguesia - como sempre aconteceu. Dos 10 300 militantes madeirenses, só 104 estão aptos a votar à luz das regras, ou seja, menos de 1%.

Ao JN, Bruno Melim, um dos signatários do pedido entregue a Nunes Liberato, presidente do Conselho de Jurisdição do partido, disse que mais de 2300 militantes pagaram as suas quotas às comissões de freguesia nos últimos meses.

"O pagamento decorreu como sempre aconteceu nos últimos 40 anos, face ao procedimento concedido pela autonomia de que gozam as estruturas regionais da Madeira e dos Açores. Houve pessoas que regularizaram as suas quotas logo em abril ou maio. Com o novo regulamento, aprovado a 8 de novembro pelo Conselho Nacional, os militantes da Madeira foram informados que ficariam inibidos de votar se não pagassem as suas quotas diretamente à sede nacional", explicou ao JN.

Pagamento a duplicar

Bruno Melim, que é líder da JSD/Madeira, defende que "um regulamento não se sobrepõe a tais estatutos".

"Sendo a Madeira o único centro de poder do PSD no país, é expectável que haja militantes da região que venham a impugnar as diretas caso não possam votar devido a tais regras", apontou, revelando que, entre os 104 aptos a votar, houve pagamentos duplicados na Madeira e em Lisboa, "com receio de não poder votar" nas diretas e na eleição de órgãos locais na terceira semana de janeiro.

Nunes Liberato confirmou, ao JN, a receção do pedido de impugnação destes militantes, remetido no sábado, escusando-se a mais comentários. "Há muito pouco tempo já nos pronunciámos sobre o regulamento de eleição do presidente", salientou, ainda assim.

O JN apurou que, apesar do sistema de pagamento de quotas ter entrado em vigor em meados de setembro, o PSD/Madeira deu indicações para que os pagamentos se mantivessem às comissões de freguesia.