Reação

Ministra diz que frase sobre lares foi "descontextualizada de forma grave"

Ministra diz que frase sobre lares foi "descontextualizada de forma grave"

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, reagiu este sábado à polémica sobre a entrevista ao jornal "Expresso" em que parece desvalorizar o impacto da pandemia de covid-19 nos lares, afirmando que "a frase escolhida para título foi descontextualizada de forma grave".

"Retirar uma parte essencial da frase, descontextualizando-a, e dando assim a entender que o Governo não considera graves os números de mortes em lares em Portugal, é um ato grave e que, como tal, deve ser desmentido", lê-se num comunicado de esclarecimento da ministra.

Ana Mendes Godinho assegura que o ministério "tem estado, desde o início da pandemia, a acompanhar a situação nos lares, e tem desenvolvido mecanismos que, por um lado, permitam antecipar surtos e dotar estas instituições dos meios necessários e, por outro, no acompanhamento de todos os surtos e na resolução de problemas concretos na sequência do surgimento destes".

A ministra acrescenta ainda que o plano estratégico implementado até agora já custou ao Estado 200 milhões de euros.

Ana Mendes Godinho falou ao semanário "Expresso" sobre o surto da doença covid-19 nos lares portugueses, com enfoque para o surto que ocorreu num lar de Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas. Em entrevista, a ministra revelou que não leu o relatório da Ordem dos Médicos sobre a instituição. "Não o li pessoalmente, mas a Ordem fez-me chegar o relatório e já pedi que o analisassem. De qualquer forma, tenho as fontes de informação institucionais próprias de todos os organismos que acompanham a matéria, nomeadamente a Segurança Social", disse.

Quando questionada se o "pior da pandemia" já passou nos lares portugueses, Ana Mendes Godinho afirmou que "3% do total dos lares" e "0,5% das pessoas internadas em lares (...) estão afetadas pela doença". Uma frase que a levou à seguinte conclusão: "A dimensão dos surtos não é demasiado grande em termos de proporção".

O CDS criticou a reação da ministra e considerou que Ana Mendes Godinho desvaloriza o impacto da pandemia nos lares. Para o líder democrata-cristão, Francisco Rodrigues dos Santos, as declarações da ministra, além de "exporem a sua total inabilidade para o cargo e espelharem uma negligência arrepiante", parecem "retiradas de um filme de terror".

"Portugal não tem uma Ministra da Solidariedade Social. Tem uma Ministra da Insensibilidade Social", indica na nota do partido, sublinhando que 40% das mortes por covid-19 em Portugal ocorreram em lares.

"O vírus é uma ameaça preocupante, mas a incompetência da ministra também. A sua continuidade em funções afigura-se como uma questão de saúde pública. Está na hora de ir de férias, como esteve até agora em silêncio, e não adiantou absolutamente nada em termos de planos, explicações e estratégias, nem tão pouco um pedido de desculpa", explicou à TSF Francisco Rodrigues dos Santos".

Segundo o CDS, Ana Mendes Godinho faz "vista grossa das estatísticas" e "não aprendeu nada com gestão da pandemia", desde o início de março.

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