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Montenegro é candidato e quer PSD "pronto a governar a qualquer momento"

Montenegro é candidato e quer PSD "pronto a governar a qualquer momento"

Luís Montenegro apresentou, esta quarta-feira, a sua candidatura à presidência do PSD. O antigo líder parlamentar laranja considerou "inevitável" que haja novas eleições caso o primeiro-ministro ceda à "tentação" de aceitar um cargo europeu, afirmou que o PS alimenta a "subsidiodependência" e garantiu que, mesmo não sendo deputado, estará em "coordenação total" com a bancada do partido.

"Sou candidato a presidente do PSD para ser primeiro-ministro de Portugal", confirmou Luís Montenegro na sede nacional social-democrata, em Lisboa.

Assegurando que a maioria absoluta do PS "não assusta" e constitui "um incentivo para nos organizarmos melhor", o candidato referiu que o país precisa de uma Oposição "atenta" e "implacável para com os desvios do Governo".

"Para além disso, precisa de uma Oposição pronta a governar a qualquer momento", prosseguiu. "Como muito bem lembrou o presidente da República na tomada de posse do Governo, um cenário de eleições antecipadas será inevitável caso o primeiro-ministro venha a ceder à sua tentação pessoal e europeia", frisou, aludindo a uma eventual saída precoce de António Costa do Executivo.

Embora referindo que o PSD é "a casa-mãe das tendências não socialistas", Montenegro reconheceu que o partido tem de se "modernizar" e prometeu um "novo ciclo" feito de "abertura, ambição e esperança". Mas rejeitou o modelo do PS, acusando o partido de colocar Portugal "na cauda da Europa".

"O país vive há demasiado tempo amarrado ao socialismo", considerou o candidato. "E o socialismo, em Portugal, esteve sempre amarrado ao 'amiguismo', ao facilitismo, ao imobilismo, à burocracia, à subsidiodependência e à vertigem estatizante", atirou.

Montenegro recordou que, nos últimos 27 anos, o PS governou 20 e o seu partido apenas sete. "Desde 1995, os portugueses só têm confiado no PSD em alturas de aperto. Não tem de ser assim", referiu.

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O candidato à liderança defendeu que a dispersão de votos à Direita "mostra que há lugar para novos discursos e narrativas". Entre os temas que considerou prioritários conta-se a "transição digital, energética e climática", que entende dever ser objeto de um "pacto nacional" que "subsista às mudanças de Governo".

Montenegro preconizou também a implementação de uma reforma fiscal que torne o sistema "mais simples e menos asfixiante". Além disso, comprometeu-se ainda a levar a cabo um "plano nacional de imigração" como forma de atrair "talento", contrariar a perda demográfica e conferir maior "competitividade" à economia.

Na Saúde, propôs uma articulação "sem complexos ideológicos estéreis" entre o público e o privado, de modo a garantir que os serviços nunca entrarão em "colapso".

Moção de rejeição? "Não vou vestir o fato de presidente"

Montenegro respondeu a algumas questões dos jornalistas, mas pouco adiantou para além do discurso que já trazia preparado. Ainda assim, assegurou que o facto de não ser deputado não o impedirá de, enquanto líder, desenvolver um "trabalho muito profícuo" com a bancada parlamentar - escolhida por Rui Rio -, com a qual estará em "coordenação total".

Questionado sobre se pensa que deve ser consultado por Rio acerca dos nomes a indicar pelo PSD para órgãos como o Conselho de Estado, o social-democrata respondeu que o partido tem uma direção legitimada e está "a funcionar em total normalidade". Também descreveu Jorge Moreira da Silva, que deve igualmente candidatar-se à liderança, como "um amigo" e "uma pessoa muito qualificada".

Instado a comentar a moção de rejeição ao Governo apresentada pelo Chega, Montenegro disse não ter dúvidas sobre qual deverá ser o posicionamento do PSD, embora sem concretizar. E evitou fazer mais comentários: "Neste momento não sou presidente do PSD e não vou vestir esse fato".

O anúncio da candidatura, cujo 'slogan' será "Acreditar", foi feito numa pequena sala da sede do PSD, em Lisboa. Estiveram presentes nomes como Assunção Esteves (antiga presidente do Parlamento), Conceição Monteiro (antiga secretária de Sá Carneiro) e os antigos deputados Pedro Duarte, Pedro Alves, Hugo Soares ou Margarida Balseiro Lopes, entre outros.

Joaquim Sarmento, economista próximo do atual líder, Rui Rio, e que vai coordenar a moção de Montenegro, também marcou presença, assim como o diretor de campanha Carlos Coelho.

Esta é a segunda vez que Luís Montenegro disputa a liderança do PSD. Em 2020 perdeu para Rio, tendo alcançado 41% dos votos na primeira volta e 47% na segunda. As eleições diretas do PSD estão agendadas para o dia 28 de maio.

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