Covid-19

O que é o R zero (R0) e para que serve?

O que é o R zero (R0) e para que serve?

Número básico de reprodução, o R zero (R0) tem sido um dos indicadores mais vezes citados pelos médicos para indicar quantas pessoas serão infetadas, em média, por um único doente com Covid-19. Quanto mais alto for, mais rápida é a propagação da doença pela comunidade.

Os peritos ouvidos terça-feira indicaram que a região de Lisboa e Vale do Tejo tem um R1,18, neste momento. Quer dizer que cada grupo de dez infetados irá transmitir o vírus a quase doze pessoas. No Norte, o valor é de 1,01. O mais baixo do país é 0,96. Feitas as contas à média nacional, chega-se a um R1,04 - ou seja, cada grupo de 20 infetados vai contagiar 21 pessoas.

Objetivo: abaixo de 1

A média nacional está a ser, todavia, desvalorizada pelos especialistas, apurou o JN. Argumentam que foram acontecimentos recentes em Lisboa que fizeram subir este indicador, que já esteve abaixo de 1. Em concreto, referem-se aos hostéis onde estavam alojados migrantes e alguns lares. Mas no caso da região Norte, o R mantém-se acima de 1 - e é natural que seja ainda superior em torno das cidades de Porto, Braga e Aveiro.

Enquanto cada infetado der origem a mais do que uma infeção (quando o R é superior a 1), a doença continuará a propagar-se pela comunidade. É como se a Covid-19 se alimentasse a si própria. É por isso que os médicos têm insistido na necessidade de manter medidas de distanciamento social, confinamento ou proteção pessoal, até que o R desça abaixo do limiar epidémico de 1 e, de preferência, se nivele nos 0,7 ou 0,8.

O Plano Nacional de Preparação e Resposta à Covid-19 da Direção-Geral de Saúde (DGS) indica que um R superior a 1 significa que "existe a possibilidade de disseminação da infeção". Mas se for inferior a 1, a doença "é incapaz de se manter na população". Quando isso suceder, é expectável que a disseminação do vírus vá perdendo força, até se extinguir por si.

e O que é o Re?

O mesmo plano define o R0 como o "número médio de casos secundários de infeção originados a partir de um caso primário", quando o vírus é "introduzido numa população que consiste somente de indivíduos suscetíveis", que nunca estiveram expostos à doença, como é o caso da Covid-19.

Mas a DGS acrescenta um outro indicador, muito menos falado, mas igualmente importante: o Re, ou o número efetivo de reprodução. Este indicador também se refere à média de infeções que cada doente provoca, mas tem como base de partida uma população que já esteva exposta ao vírus. Ou seja, leva em linha de conta as medidas postas em prática para travar a disseminação.

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