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Observatório recebeu três queixas de violência no namoro por mês em 2021

Observatório recebeu três queixas de violência no namoro por mês em 2021

O Observatório da Violência no Namoro recebeu, em média, três denúncias por mês ao longo do último ano. A maior parte dos casos são reportados por testemunhas e cerca de 15% das vítimas necessitaram de receber tratamento médico.

O Observatório da Violência no Namoro é uma iniciativa da Associação Plano i no âmbito do Programa UNi+. Desde 2017, ano em que foi criado, foram recebidas 377 queixas. Só no ano passado, foram reportados 39 casos de agressão. A esmagadora maioria das vítimas (77%) são mulheres, heterossexuais e com uma média de idades de 23 anos. Cerca de metade dos casos correspondia a estudantes.

Já o agressores são, na maioria, homens. Os crimes ocorreram, sobretudo, em Lisboa, Porto e Braga. Entre as principais causas da violência estão os ciúmes, os problemas familiares, a influência dos amigos, o consumo de álcool e problemas mentais do agressor.

O local de maior ocorrência da violência é a casa (61,5%), seguido da rua (41%) e de estabelecimentos públicos (30,8%). Em 25% dos casos, o crime foi praticado online. "A violência já passou essa linha de ser entre quatro paredes", afirmou Helena Rocha, da Associação Plano i, notando ainda que, em 64% das situações denunciadas, não foi apresentada queixa às autoridades competentes.

As tipologias de violência mais prevalentes são a violência verbal e emocional, seguida da violência física. "A violência no namoro é ou foi, em quase metade dos casos, praticada mais do que uma vez, ocorrendo na maioria em vários momentos do dia. Isto reforça que não foi um ato isolado e não foi uma vez por acaso. Isso não acontece", frisou Helena Rocha.

De acordo com dados, cerca de 15% das vítimas necessitaram de receber tratamento médico. A violência deixa ainda múltiplas marcas nas vítimas, quer seja ao nível psicológico, social e físico.

700 universitários vítimas de violência no namoro

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O Estudo Nacional da Violência no Namoro em Contexto Universitário, apresentada também esta segunda-feira pela Associação Plano i, revela ainda que mais de metade dos jovens universitários inquiridos já sofreu violência no namoro. Trata-se de cerca de 700 estudantes. Segundo os dados, 32,4% dos participantes admitiu também já ter praticado, pelo menos, um ato deste tipo de violência.

O estudo contou com a participação de 1 322 pessoas, a maioria do sexo feminino, com uma média de idades de 22 anos. Os dados foram recolhidos ao longo de 2021. No entanto, a Associação Plano i alerta que tal não significa que os casos de violência tenham ocorrido nesse período.

De acordo com a associação, "não é possível afirmar que a proporção da violência no namoro praticada por homens seja significativamente superior em comparação com a praticada por mulheres", porém "a proporção da violência sofrida é superior nas mulheres comparativamente com os homens".

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