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Pedro Nuno Santos assume "inteira responsabilidade" mas não sai

Pedro Nuno Santos assume "inteira responsabilidade" mas não sai

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, anunciou que vai continuar no cargo, mesmo após ter sido desautorizado por António Costa, que ordenou a revogação do despacho sobre os aeroportos de Lisboa. Assumiu "a inteira responsabilidade" pelos "erros de articulação e comunicação" neste processo, não só com o chefe do Governo mas com os restantes membros, a quem pediu desculpa. Porém, estas "falhas não mancham" o trabalho feito em conjunto com o primeiro-ministro e "obviamente" não se demite.

"Estas falhas tiveram consequências e causaram esta situação" e "penalizo-me profundamente", afirmou o ministro, insistindo em atribuir a polémica a problemas de comunicação e articulação, sem qualquer outra explicação.

"Queremos continuar esta caminhada de sucesso e é o trabalho que queremos continuar para conseguir o consenso necessário", afirmou Pedro Nuno Santos, sugerindo que prosseguirá o processo dos aeroportos, nos termos definidos pelo primeiro-ministro de procura de entendimento com o PSD.

"É uma falha relevante que assumo mas que obviamente não mancha o trabalho longo, em conjunto com o primeiro-ministro, a caminhada que fizemos em conjunto para conseguirmos a liderança do PS, sob a sua liderança construirmos uma solução política inovadora na qual poucos acreditavam", afirmou também, numa alusão à geringonça de Esquerda enquanto "trabalho partilhado".

"Momento infeliz"

Além disso, acrescentou o ministro das Infraestruturas, "este trabalho com o primeiro-ministro tem anos, é uma relação profissional e de amizade que obviamente não é manchada por um momento infeliz". Por isso, reforçou Pedro Nuno Santos, "queremos obviamente ultrapassar este momento, retomar o trabalho em conjunto, construir a nossa relação de confiança e de trabalho", bem como "seguir o procedimento" de promover consenso político.

O governante fez esta declaração sem direito a perguntas, no Ministério, após ter estado reunido em São Bento com o primeiro-ministro durante cerca de 40 minutos. António Costa regressou de Madrid, onde se encontrava para a cimeira da NATO.

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Esta manhã, num comunicado, o primeiro-ministro explicou que a decisão "tem de ser negociada com Oposição". E "em circunstância alguma" deve avançar sem se informar presidente da República.

Costa determinou ao ministro das Infraestruturas e da Habitação a revogação do despacho publicado na véspera sobre o Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa, informou o gabinete.

Costa fala antes de encontro com Macron

Fonte do Governo garantiu que o chefe de Governo desconhecia o despacho e que estava previsto esperar pelo PSD para se chegar a um entendimento, já com o novo líder social-democrata consagrado.

O primeiro-ministro tinha sido questionado, em Espanha, sobre a revogação do despacho do ministro das Infraestruturas e sublinhou que "não comenta no exterior assuntos de política nacional". "Brevemente estarei em Portugal", ressalvou o chefe de Governo.

Costa falará aos jornalistas antes de visitar uma exposição com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia pelas 18 horas.

Montijo e Alcochete

Na quarta-feira, foi publicado em Diário da República um despacho assinado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, sobre a "definição de procedimentos relativos ao desenvolvimento da avaliação ambiental estratégica do Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa".

Entre outras medidas, o despacho agora revogado por ordem de António Costa determinava o "estudo da solução que visa a construção do aeroporto do Montijo, enquanto infraestrutura de transição, e do novo aeroporto "stand alone" no Campo de Tiro de Alcochete, nas suas várias áreas técnicas."

Marcelo: "É preciso saber esperar"

Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, no Parque das Nações, Marcelo Rebelo de Sousa não quis comentar a crise no Governo mas deixou um recado: "É preciso saber esperar, é uma qualidade fundamental."

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