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Petição pede investigação a youtubers portugueses

Petição pede investigação a youtubers portugueses

Uma petição, assinada por mais de sete mil subscritores, solicita à Polícia Judiciária que investigue os "esquemas ou pseudo-negócios" praticados pelos influenciadores digitais.

No documento, os subscritores pedem que as autoridades atuem contra os esquemas "altamente aliciantes (...) praticados por influenciadores" e que permitem "o enriquecimento desonesto destes burlões à custa de perdas enormes por parte das pessoas burladas".

O abaixo-assinado ganhou um novo "boost" nas últimas horas depois do youtuber RedLive13, alcunha pela qual é conhecido na plataforma, ter revelado em alguns vídeos alegadas burlas praticadas por vários populares influenciadores portugueses. Também o youtuber Hugo Medeiros, mais conhecido no mundo online como MedHug, tem denunciado supostos esquemas ligados aos mercados financeiros e das criptomoedas.

"Estes burlões usam os mercados financeiros como ilusão para o enriquecimento rápido para enganar as pessoas burladas como, por exemplo, forex, ações e criptomoedas", é possível ler ainda no documento online.

O "cancelamento" de alguns destes influenciadores tem, aliás, figurado no top 10 dos temas populares da rede social Twitter, com vários hashtags a entrar nos "trending topics", e foi orquestrado esta quarta-feira à noite durante um direto no YouTube pelo hacker RedLive13. Os youtubers Diogo Figueiras (Windoh), João Barbosa (Numeiro), David Soares (David GYT) e Fábio Pereira (Ferp) estão entre os principais visados.

Windoh, que até há dias vendia cursos de investimento em ações e criptomoedas a 400 euros e que o hacker RedLive13 alega serem burla por se tratar de conteúdo que é "copypaste da Wikipedia", já reagiu e diz que as acusações de burla são "rumores" e "blasfémias".

"Não é correto o que andam a dizer. Deixem-me de associar a esquemas, porque nunca os fiz", argumentou num vídeo publicado no YouTube, onde refere também que vai proceder ao reembolso do dinheiro dos inscritos, após os documentos terem sido expostos na Internet.

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Recorde-se que o youtuber RedLive13, de 21 anos, chegou a ser identificado, em abril do ano passado, pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária por invadir aulas na ferramenta virtual Zoom e publicá-las no YouTube - um fenómeno, em inglês denominado por "zoom raid" ou "zoombombing", que aumentou com a pandemia de covid-19.

Outra irregularidade apontada pela petição diz ainda respeito à promoção de sites de apostas "online" sem licença para operar em Portugal pelos influenciadores.

Sobre este ponto, já em 2019 uma reportagem da "Rádio Renascença" indicava que mais de uma dezena de youtubers portugueses, incluindo os mais populares em Portugal, promovia sites de apostas online sem licença para operar em território nacional.

Questionado esta terça-feira pelo JN sobre o assunto, o Serviço de Regulação e Inspeção do Jogo, que à época garantiu estar a atuar, nada disse até agora sobre o que foi feito em concreto.

O JN também contactou esta quarta-feira a Polícia Judiciária bem como a Procuradoria-Geral da República para saber se tem recebido ou se está a investigar alguma denúncia relativa a eventuais esquemas envolvendo youtubers portugueses, mas, até ao momento, ainda não obteve qualquer resposta.

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