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Tentar a sorte e ficar à espera do comboio em dia de greve da CP

Tentar a sorte e ficar à espera do comboio em dia de greve da CP

As poucas dezenas de passageiros na estação de São Bento, no Porto, ao início da tarde desta segunda-feira, resistiram à sucessão de comboios suprimidos e continuavam esperançados de ter transporte para casa. Todos os que falaram com o JN foram apanhados de surpresa pela greve dos trabalhadores da CP. Houve quem desistisse e apanhasse boleia, depois de horas à espera.

Sentada no chão da estação, Juliana Alves aguentava a espera pelo próximo comboio, de auscultadores nos ouvidos. O destino era Famalicão. "Só soube de manhã que havia greve", disse ao JN. Desde as 9 horas da manhã, ficou em São Bento a tentar a sua sorte. Mas a informação era sempre a mesma nos ecrãs: "comboio suprimido". Além disto, não sabia de mais nada. As bilheteiras e o balcão de apoio ao cliente estavam fechados. Já cansada do peso do traje académico, a estudante de Belas Artes anunciou: "vou-me embora porque a minha boleia já chegou". Foi de carro para casa.

A greve de 24 horas na empresa deve-se à reivindicação de aumentos salariais de 90 euros pelos trabalhadores. Entre as 0 horas e as 12 horas de segunda-feira, a CP anunciou que 93% dos comboios foram suprimidos. José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), afirmou à agência Lusa que a adesão rondava os 95% às 8.40 horas. O mesmo número manteve-se até às 12.30 horas, de acordo com o sindicalista.

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Mesmo em dia de paralisação e com os serviços da CP a meio gás, a estação de São Bento não deixou de estar concorrida. Na entrada, dezenas de turistas tiravam fotos aos murais azuis e brancos. Perto do alarido dos estrangeiros, José Abreu, de 66 anos, tentava perceber quando haveria comboio para Aveiro, junto do ecrã gigante com a indicação dos destinos. "Vou esperar e ver o que acontece", afirmou, mesmo depois de duas horas de espera. Mário Vinha, de 67 anos, também perguntava ao JN se o próximo comboio tinha sido suprimido. Não havia mais ninguém com quem tirar dúvidas.

Já na plataforma, Bárbara e Tiago Moreira esperavam pelo comboio para Vila Meã, sentados no banco, com malas e bagagens. Vieram de férias e não sabiam da paralisação de antemão. Tinham um comboio às 14.30 horas, mas foi suprimido. Apostavam agora no próximo, das 15.30 horas. Sem certeza de que teriam transporte.

Sem saber muito bem o que fazer, mas rendida à espera num banco da estação, Bárbara Azevedo, de 22 anos, tentava chegar a Braga. O mesmo destino de Ana Villasboas, de 25 anos, que se distraía com o telemóvel. "Disseram que havia comboio", afirmou, ainda que com algumas dúvidas.

Segundo o dirigente da Fectrans, houve também uma "grande adesão dos trabalhadores das oficinas" da CP. A empresa anunciou esta segunda-feira em comunicado que tinha chegado a um acordo de princípio com 12 dos 15 sindicados, para rever os "instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho da empresa, permitindo, nomeadamente a integração total de todos os trabalhadores (incluindo os trabalhadores que transitaram da ex-EMEF) nos mesmos instrumentos e condições de trabalho, sem descurar as especificidades de cada profissão".

O acordo só não foi alcançado com os três sindicatos (SNTSF, Fectrans, SFRCI), que convocaram a greve que decorre esta segunda-feira. A paralisação abrange os trabalhadores que iniciaram o período de trabalho no domingo ou nas últimas horas desta segunda-feira. Como o JN noticiou, este domingo à noite, cerca de 50 pessoas ficaram retidas em Vigo, Espanha. Os efeitos da greve podem sentir-se ainda durante o dia de terça-feira.

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