Subida da curva retardada

Portugal com taxa de mortalidade de 1,7% de Covid-19. Pico será em maio

Portugal com taxa de mortalidade de 1,7% de Covid-19. Pico será em maio

Portugal apresenta "uma taxa de mortalidade de 1,7%" por Covid-19 e "os idosos são a população mais exposta à letalidade desta doença".

"Neste momento, temos uma taxa de mortalidade de 1,7% em Portugal", indicou o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, na conferência de imprensa diária sobre a situação epidemiológica da Covid-19.

"Mais de 80% dos óbitos" por Covid-19 em Portugal "ocorre em pessoas com mais de 70 anos", sublinhou, acrescentando: "Temos o dever de proteger estas pessoas mais vulneráveis". E "a nossa maior arma é o isolamento social", reiterou o governante, acrescentando que "é tempo de resistência" neste momento de combate à pandemia.

António Lacerda Sales lamentou os 76 óbitos por Covid-19 e referiu que há 4268 casos positivos confirmados, mais 724 do que na quinta-feira, o que representa um aumento de 20%. Destes, 89% estão no domicílio e há 354 doentes internados, dos quais 71 em cuidados intensivos (mais dez em relação a quinta-feira).

Também presente na conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde sublinhou que os números da evolução da doença em Portugal revelam "uma tendência para termos retardado um bocadinho a velocidade como a curva está a subir". Ou seja, "à medida que retardamos a aceleração da curva, o pico vai diferindo no tempo para mais adiante", explicou Graça Freitas.

"Neste momento, pelos dados que temos, tudo indica que o pico - apontado há dias para 14 de abril - deverá ocorrer um pouco mais tarde, nunca antes, provavelmente, do mês de maio", apontou a responsável da DGS. "Mas são previsões, vale o que vale", frisou. "O pico não será um momento instantâneo no tempo. Será um planalto. Quando chegarmos ao máximo dos casos da curva, andaremos ali alguns dias ou semanas. Já sabemos que esta doença dura muito tempo. Não vamos chegar ao dia X e começamos logo a descer", esclareceu.

Em relação ao aumento dos casos de infeção entre utentes de vários lares, Graça Freitas defendeu medidas preventivas: "não é esperar que apareça um caso".

"Em cada localidade existem lares de idosos, a tal população mais vulnerável entre os mais vulneráveis" e "uma medida preventiva que terá de ser a sociedade a tomar - não é esperar que apareça um caso - pode ser desdobrar a população do lar em duas instituições, uma dela provisória e extraordinária para uma situação extraordinária", sugeriu.

Isto irá permitir "que dentro daquele lar a densidade de pessoas seja diferente e permita maior distanciamento social", afirmou Graça Freitas. Assim, também haverá "contenção das equipas e dos cuidadores".

"Esta não é uma tarefa da Saúde, a Saúde infelizmente acaba por intervir quando aparece um ou mais casos positivos. Mas, antes disso, a prevenção é muito importante" e essa responsabilidade cabe à comunidade, às organizações locais.

Segundo a responsável da DGS, o registo de óbitos em lares de idosos "ainda não é um número significativo porque os surtos começaram há pouco tempo".

António Lacerda Sales referiu-se ainda às vítimas de violência doméstica como um dos grupos mais vulneráveis da pandemia para os quais "é preciso continuar a haver respostas sociais". Nesse sentido, "vamos tomar medidas para a testagem das vítimas de violência antes de entrarem em abrigos", anunciou.

Em relação aos testes de Covid-19, o secretário de Estado indicou que, na quinta-feira, "foram testadas 2500 pessoas para uma capacidade de cerca de 5600 pessoas", sendo que os resultados "demoram entre 5 a 6 horas". Novos testes vão começar a ser utilizados, com os resultados a demorarem entre 3 horas e 3 horas e meia. "Vamos reforçar a nossa capacidade de testagem", garantiu.

O secretário de Estado anunciou ainda que, esta sexta-feira, chegaram 4,6 milhões de máscaras cirúrgicas que serão entregues aos profissionais de saúde e saudou a resposta de 4500 médicos que se mostraram disponíveis para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) neste combate à pandemia de Covid-19.

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