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Ricardo Serrão Santos: Estudioso dos oceanos assume pasta do Mar

Ricardo Serrão Santos: Estudioso dos oceanos assume pasta do Mar

O novo ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, é biólogo, tem 65 anos e foi eurodeputado entre 2014 e 2019. Em Bruxelas integrou as comissões das Pescas e da Agricultura e vai, agora, substituir Ana Paula Vitorino no executivo

No final do mandato no Parlamento Europeu foi eleito pela organização independente Votewatch o terceiro eurodeputado português mais influente (atrás de José Manuel Fernandes e Carlos Zorrinho) e foi um dos finalistas dos MEP Awards, prémio que distingue os melhores parlamentares europeus em cada ano. Ainda assim, o PS deixou-o fora das listas para as últimas eleições europeias, em maio.

Nascido em Portalegre há 65 anos, Ricardo Serrão Santos tem, no entanto, um percurso profissional intimamente ligado aos Açores. Foi pela Universidade do arquipélago - e pela Universidade de Liverpool - que se doutorou em Biologia, especializando-se na área da Ecologia Animal e Marinha, e foi também na Universidade dos Açores que ascendeu a pró-reitor. Nessa instituição tornou-se, ainda, o docente responsável pela Oceanografia e Pescas, departamento em que voltou a lecionar desde que, em maio, deixou Bruxelas.

Sustentabilidade e ambiente como bandeiras

Em novembro de 2018, Ricardo Serrão Santos foi selecionado para integrar um grupo da UNESCO responsável por elaborar a agenda das Nações Unidas para a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030). Numa entrevista concedida, em agosto, ao jornal "Açoriano Oriental", o agora ministro do Mar dizia ter como principais preocupações as questões demográficas, as desigualdades, os desafios colocados pela sociedade digital e as alterações climáticas. Ora, numa altura em que as questões ambientais têm vindo a ganhar impacto na agenda política nacional e internacional, a escolha de Serrão Santos para integrar o Governo também pode ser lida como uma forma de António Costa sinalizar que leva a sério estas temáticas.

Carlos César já tinha destapado o véu

A escolha de Ricardo Serrão Santos implica a saída de Ana Paula Vitorino, que deixa o Governo também pelo facto de António Costa ter decidido fazer um Governo sem ligações familiares - a agora ex-ministra do Mar é casada com Eduardo Cabrita, que permanece à frente do Ministério da Administração Interna. No entanto, esse não terá sido o único motivo para a substituição, uma vez que o trabalho de Ana Paula Vitorino não foi apreciado de forma unânime nas hostes socialistas.

Em setembro, numa entrevista à RTP Açores, poucas semanas antes das legislativas, o presidente do partido, Carlos César, tinha deixado em aberto a hipótese de haver um ministro ligado ao arquipélago no novo Governo. Embora sem apontar qualquer nome ou pasta, César referiu, na altura, que o Ministério do Mar constituiu um dos pontos fracos da governação.

"Havia uma certa resistência por parte de alguns ministérios, designadamente até do Ministério do Mar, sobre a forma como enquadrar a participação das Regiões Autónomas na gestão partilhada", referiu então Carlos César, acrescentando que "esta foi uma matéria que não teve boa resolução".