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Rio atribui vitória aos "militantes de base" e promete ganhar legislativas

Rio atribui vitória aos "militantes de base" e promete ganhar legislativas

Foi a vitória do "militante de base" contra o aparelho, que se moveu por "interesses pessoais", considerou Rui Rio, ao assumir o triunfo por 53% nas eleições diretas contra Paulo Rangel, que lhe garantiu um terceiro mandato à frente dos destinos do PSD.

Quando faltavam fechar sete secções, tinha 18 637 votos (mais 1 741 do que Rangel), num total de 36 mil votantes. Era a diferença mais pequena das três vitórias (contra Santana, em 2018, ganhou por 3484 e frente a Montenegro, em 2020, teve mais 2071 votos).

Ao declarar-se como candidato do partido a primeiro-ministro, Rui Rio foi perentório: "Estou picado para ganhar as legislativas. Eu vou ganhar!". Quanto ao seu terceiro triunfo interno, considerou: "É a vitória dos militantes de base do PSD". E aconselhou "os dirigentes a ligarem-se mais aos militantes".

"É notório que, na sua esmagadora maioria, foram num certo sentido que tinha a ver com interesses pessoais e não com os interesses do partido", atirou o reeleito líder do PSD, deixando outra bicada interna: "Não prometi nada a ninguém. Não disse que se votasse em mim teria o lugar A ou B".

Apesar disso, Rui Rio enalteceu a "dignidade" com que Paulo Rangel assumiu a derrota. Mas não prometeu integrar as outras fações internas, como desafiou o rival. Apenas repetiu o que disse quando anunciou a recandidatura: "Estou sempre disponível para fazer a unidade. Agora, só se consegue fazer a unidade com quem estiver disponível".

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"Governo com mais rigor e menos facilitismo"

Rui Rio fez "um ponto final e parágrafo" nas clivagens internas e virou-se para fora, garantindo que vai ganhar as legislativas, até porque o país precisa de um "Governo com mais rigor e menos facilitismo".

Antecipando o programa eleitoral, o líder dos sociais-democratas prometeu "mais riqueza e menos endividamento", um "Governo capaz de modernizar os serviços públicos", de garantir um médico de família e um "país mais descentralizado".

Mas, para haver efetiva descentralização, avisou, o PSD precisa "de ter os votos necessários" no Parlamento" para fazer reformas. Sem falar em maioria absoluta, o líder do PSD exemplificou com o voto contra dos socialistas à transferência do Tribunal Constitucional para Coimbra.

"Finta" aos jornalistas

A noite começou com um Rio cauteloso, a "fintar" os jornalistas, entrando pela garagem do hotel onde acompanhou os resultados, no Porto. Enquanto isso, eram poucos os nomes sonantes que o esperavam, notando-se o deputado Ricardo Batista Leite e o provedor da Santa Casa do Porto, António Tavares. Na sala, com poucos militantes, reinava o silêncio.

Bastou hora e meia para que se ouvissem aplausos e abraços ruidosos. A garantia da candidatura chegara: o líder fora reeleito, confirmando-se a convicção que levava quando foi votar: "Naturalmente, uma vez que sou candidato, o que espero é ganhar estas eleições".

Para a vitória contou com conquistas importantes, como a distrital do Porto - onde o líder, Alberto Machado, assumiu apoiar Paulo Rangel. Rui Rio acabou por levar a melhor na terra que governou durante 12 anos. E também na secção de Gaia, cidade de onde é natural o eurodeputado e onde o líder concelhio, Cancela Moura, não poupou esforços para garantir a vitória do amigo Rangel. Rui Rio sabia a importância de Gaia. Por isso, foi nesse concelho que encerrou a campanha.

O reeleito líder do PSD também ganhou Braga, distrital onde o crítico Paulo Cunha se manteve neutro, mas onde Rangel tinha importantes apoios como o do autarca Ricardo Rio. E Santarém, onde o também crítico João Moura apoiou o eurodeputado. Outro domínio hostil conquistado foi Leiria, distrital presidida por Rui Rocha. Rio saiu vitorioso ainda em Évora, Algarve, Açores, Madeira e Bragança.

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