Populações vulneráveis

S. João vai realizar consultas fora do hospital para tratar hepatite C

S. João vai realizar consultas fora do hospital para tratar hepatite C

O Centro Hospitalar Universitário de S. João, no Porto, vai realizar consultas fora das "paredes do hospital" para rastrear e tratar a hepatite C na população com comportamentos aditivos e dependências. O atendimento, que conta já com um universo de cerca de mil pessoas sinalizadas, arranca nas "próximas semanas" e vai ser feito nos Centros de Resposta Integrada do Porto (CRI).

Este projeto parte de outro "muito bem-sucedido no passado", que visou "erradicar a hepatite C nos estabelecimentos prisionais" do Porto. No total, segundo o diretor do serviço de Gastrenterologia do Hospital de S. João, foram tratados cerca de 200 reclusos. O objetivo é agora replicar o atendimento de proximidade no seio da população com comportamentos aditivos e dependências.

"Este projeto dirige-se a uma população vulnerável que, de alguma forma, tem a sua vida pessoal e social desestruturada e que, pelas suas condições, acabam por ter menor acessibilidade aos meios de saúde. Vamos regularmente começar a vê-los nos seus postos em vez de estarmos à espera de uma referenciação, tal como acontecia até agora e acontece em todo o país. Não é fácil para este tipo de doentes ter um caminho oleado para chegar aos hospitais e terem as suas consultas", explicou Guilherme Macedo, diretor do serviço de Gastrenterologia do Hospital de S. João.

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Segundo o médico, "existe evidência em todo o mundo" de que é nas populações vulneráveis que "a hepatite C tem um nicho preferencial de existência". Por isso, "não é possível pensar numa estratégia de eliminação da infeção no país ou no mundo se não formos ter com as populações vulneráveis". Até porque, alertou Guilherme Macedo, "se não houver uma rede integrada de cuidados, esses doentes perdem-se no sistema".

Com o intuito de não "deixar ninguém para trás", os médicos do S. João vão dirigir-se, "em períodos consecutivos e permanentes", aos CRI instalados na cidade do Porto, onde é feito "o acompanhamento habitual de doentes com comportamentos aditivos", mas "falta o acompanhamento específico em relação à hepatite C". Estarão afetos ao projeto sete profissionais do S. João.

"Temos já identificadas pouco mais de mil pessoas. Vamos tentar perceber se a infeção está ativa ou se é uma infeção passada que deixou algumas cicatrizes. Dessas mil pessoas, a nossa estimativa é que cerca de 250 vão precisar de tratamento nas próximas semanas", referiu Guilherme Macedo.

No país, estima Guilherme Macedo, cerca de 40 mil portugueses podem estar atualmente infetados com o vírus da hepatite C e desconhecer que vivem com a patologia. "A procura objetiva de saber quem está infetado e quem precisa de ser curado é decisiva para a saúde pública no nosso país", afirmou.

Enaltecendo o trabalho em rede, Carlos Nunes, presidente da Administração Regional de Saúde Norte, não esconde a vontade de ver o projeto alargado a outras cidades da região.

"Os Centros de Resposta Integrada do Porto Ocidente, Central e Oriental já há muito tempo que verificavam que havia uma prevalência muito grande de utentes com hepatite C. Estamos a falar de toxicodependentes, alcoolismo e outras adições. Portanto, este trabalhar em conjunto das equipas locais e dos hospitais vai trazer um grande benefício: o acesso que estes utentes passam a ter a um diagnóstico precoce, a um acompanhamento e a um tratamento. É um salto qualitativo", frisou.

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