Porto

Ventura quer pensão mínima de 200 euros para ex-combatentes

Ventura quer pensão mínima de 200 euros para ex-combatentes

No final de um almoço-convívio no Porto com antigos combatentes, o líder do Chega, André Ventura, prometeu que "uma das primeiras medidas" a propor pelo partido na Assembleia da República no início da próxima legislatura será a criação de "uma pensão mensal de 200 euros no mínimo para todos, sem exceção".

Ventura fez o compromisso eleitoral nesta tarde de domingo no restaurante Império, na Rua de Fernandes Tomás, no Porto, depois de lhe ter sido oferecido um casaco militar camuflado semelhante ao utilizado pelos antigos combatentes. De acordo com Germano Miranda, de 70 anos, fundador do movimento Combatentes do Ultramar em Luta (CUL), "é um camuflado que um civil pode comprar". O líder do Chega vestiu o casaco e nunca mais o tirou durante o almoço.

Antes do discurso de encerramento do convívio, que se prolongou por mais de três horas, houve lugar para dois momentos musicais e espaço para perguntas. Os ex-combatentes colocaram três questões a André Ventura: pediram uma melhoria na assistência nos serviços de saúde, queixaram-se da "humilhação" de que são alvo "há mais de 40 anos" - aproveitando para acusar "os outros partidos políticos" de os terem esquecido -, e apontaram falhas ao cartão do antigo combatente que "só serve para andar nos transportes no Porto e em Lisboa, mas para quem lá vive".

Entre quem procurava respostas, foi deixado um alerta a Ventura: "Acompanho diariamente os discursos na Assembleia da República e vou estar atento para saber quem é que, de facto, merece o nosso voto e o nosso respeito".

O também ex-comandante de pelotão em Moçambique, Germano Miranda, que se afirmou militante do Chega, quis salientar que se tratou de um almoço entre ex-combatentes para o qual "os políticos foram convidados". "Quem é que esteve ao nosso lado? André Ventura e o Chega", concluiu, agradecendo ao líder do partido, mas observando que "a guerra [dos antigos combatentes] não está ganha".

João Magalhães, do movimento Unir Combatentes do Ultramar, referiu que, no dia 28 de outubro, altura em que se manifestaram em frente à Assembleia da República, entregaram ao Parlamento e ao primeiro-ministro um "caderno de direitos". "Fomos carne para canhão numa guerra inglória. Hoje dói-me o coração por não estarmos na história da minha nação", afirmou.

"Estamos aqui com a convicção de que a nossa honra vai ficar representada por André Ventura, pela promessa de que na próxima legislatura vai devolver-nos a dignidade que os partidos do sistema nos roubaram", salientou.

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Acesso à saúde e repatriar militares

Afirmando que há "antigos combatentes que estão à espera há 15 anos para saber se têm ou não acesso a consultas relacionadas com stress pós-traumático" fruto do conflito militar, Ventura garantiu que esta é uma situação que será corrigida "já no início da próxima legislatura na Assembleia da República".

"O Chega vai propor, já nesta primeira sessão legislativa, o acesso gratuito ao Hospital das Forças Armadas a todos os combatentes e respetiva família para poderem beneficiar dos cuidados de saúde que merecem, pelo serviço prestado a Portugal", prometeu o líder do Chega, mostrando também vontade de repatriar os "corpos de mais de três mil compatriotas enterrados no UItramar".

"Não deixaremos que a Esquerda e a extrema-Esquerda continuem a querer chamar-vos de bandidos e de assassinos nem que continuem a querer trazer à tona ficheiros militares de 1974, 1975 ou de 1969 apenas para humilhar e chamar de bandidos e de criminosos aos antigos combatentes", condenou André Ventura.

Se "o Chega tiver alguma missão histórica", realçou Ventura, "a primeira seria impedir que estes homens e mulheres que hoje querem reescrever a história, não o possam fazer, e devolver a dignidade àqueles como vocês, que são os responsáveis, na verdade, pela liberdade e país que temos hoje".

"Os nossos jovens, nas escolas e nas universidades cresceram a pensar que nos devíamos arrepender da nossa história e pedir desculpa por ela. Hoje há até partidos que pedem que indemnizemos as antigas províncias ou que tenhamos de devolver arte ou cultura. Pela primeira vez, há um partido que, para azar deles, vai ser a terceira força política nestas eleições, que vai completamente contra esta narrativa, que vai valorizar e dignificar a história que tivemos. E há uma coisa que vos garanto: nunca teremos vergonha da nossa história", afirmou André Ventura, lamentando a existência de "mais de 300 combatentes a viver em situação de sem-abrigo em Portugal".

Neste sentido, Ventura voltou a uma das suas bandeiras e acusou Portugal de ser um "país que trata melhor os refugiados e os migrantes do que trata os seus combatentes".

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