Golfe. A exclusividade, os negócios e a ambição de ser democrático

O estigma (e, em parte, o dinheiro envolvido) ainda dita que sejam as elites, ou, pelo menos, as classes altas, a reinar nos campos. Mas o cenário tem vindo a mudar, a pouco e pouco. Há trabalho a ser feito, com programas acessíveis para crianças, tudo para atrair os jovens para a modalidade. Porém, há o outro lado, os campos ultraexclusivos, dominados por estrangeiros, as centenas de milhares de euros para fazer parte do clube, as viagens. E os muitos contactos que nascem entre tacadas, nos bastidores do jogo.
Foi precisamente neste verão que abriu o Els Club Vilamoura, um campo de golfe privado, numa renovação do antigo Victoria Golf Course, e que levou a exclusividade ao mais alto nível para terras algarvias. O clube é só para um grupo restrito e privilegiado de membros fundadores e só eles podem convidar outros jogadores. As contas estão fechadas, são 50 os fundadores, todos escolhidos a dedo, muitos deles estrangeiros, mas também portugueses, "de elites desportivas e empresariais". Romeu Gonçalves, o diretor, sabe que aqui se joga um campeonato de estatuto e dinheiro. Só a taxa de adesão é de 150 mil euros, a somar à quota anual de 10 mil euros. "Não é o campo mais exclusivo em Portugal, porque existe o CostaTerra, na Comporta. Mas é, de facto, ultraexclusivo." O que reflete bem um desporto ainda muito associado às elites, ideia que há anos tenta desmistificar. "A questão é que por muito que queira desmistificar, em Portugal, enquanto não houver campos públicos, municipais, como existe em Inglaterra, onde conseguimos jogar por 20 libras, é difícil."

