
Foto: Adelino Meireles
O objeto escolhido pelo professor que é presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.
"Há um belíssimo quadro no gabinete que ocupo na escola sede do Agrupamento de Escolas D. Pedro I, Vila Nova de Gaia, que não nasceu ali. Acompanhou-me do anterior Agrupamento, agregando memórias, contextos e rotinas, que transpiram os genuínos sentidos da escola. Foi-me oferecido por uma docente da educação pré-escolar, agora aposentada, num gesto de uma simplicidade profundamente simbólica, desses que dispensam discursos e vingam no tempo. Vai além do mero acessório.
É memória materializada. O início de tudo: a curiosidade no olhar da criança, o cuidado paciente do educador, a convicção de que o ato de educar é sustentado na relação. No quadro, a mensagem 'A Educação é a arma mais poderosa do mundo', de Nelson Mandela, desarmante e direta, concentra em si a visão da sociedade que se almeja.
E todas as vezes que a leio, assume um tom mais categórico, e recorda-me que a Educação não se mede apenas nos resultados, relatórios ou estatísticas, mas também nos gestos, afetos e gratidão. Lembra-me, diariamente, que liderar uma escola é honrar quem a constrói desde o primeiro dia, tantas vezes em silêncio, e aviva a dimensão humana da Educação, mesmo quando insistem em torná-la burocrática."
Perfil
Filinto Lima, de 59 anos, é atualmente presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. É ainda autor do livro "Memórias de um presidente de conselho executivo" e coautor do livro "Movimento associativo - Património de Oliveira do Douro".
