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Mariana Mortágua

Reforçar o SNS para além dos anúncios

Não foi preciso uma pandemia para compreendermos que o SNS, para se fortalecer como pilar da nossa democracia, precisa de profissionais, de investimento, mas também de uma estratégia. O modelo que vigorava desde os anos 90 enfraquecia o serviço público que se tornava numa plataforma de contratação a privados, sem ganhos, quer na qualidade dos cuidados, quer na poupança de recursos financeiros. Esta foi a debilidade que António Arnaut e João Semedo fizeram questão de expor, quando escreveram um projeto de nova Lei de Bases da Saúde.

Mariana Mortágua

Novo Banco: António Costa descobriu a pólvora?

Já a noite ia longa, no dia 13 de maio, quando o primeiro-ministro, através das suas redes sociais, procurou pôr um ponto final na polémica dos últimos dias. Tudo começou na semana anterior, quando António Costa garantiu a Catarina Martins que o Estado não transferiria mais recursos para o Novo Banco sem conhecer o resultado das auditorias em curso. Acontece que, no momento dessas declarações, a ordem de transferência de 850 milhões já tinha sido dada pelo ministro das Finanças Mário Centeno. O primeiro-ministro pediu desculpas pela informação errada, mas a novela arrastou-se, com Mário Centeno a alegar o mero cumprimento de uma obrigação contratual e que as operações do banco tinham sido suficientemente auditadas. A partir da noite de 13 de maio, em que Costa e Centeno estiveram reunidos, esse voltou a ser também o discurso do primeiro-ministro, que deu o dito por não dito. De um dia para o outro, todo o Governo voltou à narrativa que mantém desde a entrega do Novo Banco ao fundo Lone Star, garantindo que foi a solução "possível", e que os interesses do Estado foram acautelados.

Mariana Mortágua

O lugar marcado de Mário Centeno

Duas em cada três pessoas que se sentam no Conselho de Administração do Banco de Portugal (BdP) vêm dos bancos, ou seja, do setor regulado. O caso mais notório é o de Carlos Costa, que transitou do BCP (onde estava no tempo do escândalo dos offshores) para a Caixa, da Caixa para o Banco Europeu de Investimentos, para depois ser nomeado governador do BdP. Nunca desempenhou cargos públicos, mas isso não o impediu de proteger o Governo de Passos Coelho no tempo da resolução do BES. Meses mais tarde, já depois de a Comissão de Inquérito ao BES ter feito duras críticas à atuação do BdP, foi reconduzido pelo mesmo Passos Coelho. Desde então, manteve-se como governador, apesar do conflito de interesses que o levou a pedir escusa no processo recente da Caixa, e imune a todas as polémicas. Isto porque o Banco de Portugal goza de um regime de exceção que, a pretexto de uma suposta "independência" do poder político, abre espaço a todas as dependências face ao próprio setor bancário.