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Mariana Mortágua

A ocasião faz o ladrão, o segredo protege-o

Em Portugal, como em tantos outros países, o segredo bancário tem sido a alma dos piores negócios. A cultura do segredo, elevado a um princípio em si mesmo, em vez de se restringir ao seu verdadeiro propósito (a salvaguarda da privacidade pessoal), é companheira da corrupção e do crime económico. Permite todos os abusos e negociatas, abriga quem quer fugir ao Fisco, protege quem se quer esconder e, como temos visto tantas vezes, ergue-se como uma parede intransponível contra o escrutínio democrático.

Mariana Mortágua

O precedente açoriano e a ópera bufa

Por quatro vezes o Parlamento aprovou iniciativas que mandataram o Governo a reconhecer o tempo de serviço dos professores. Na primeira, o PS votou a favor. Nas duas seguintes, não tendo votado a favor na especialidade, aprovou os orçamentos que as continham. Na quarta, ameaçou demissão alegando um impacto orçamental futuro que ninguém consegue calcular porque depende da forma como esse descongelamento for negociado, e de dados que o Governo esconde.

Mariana Mortágua

Valeu a pena o inquérito às rendas elétricas?

A Comissão de Inquérito às rendas excessivas pagas às empresas de eletricidade ouviu dezenas de pessoas, antigos responsáveis de governos, representantes de empresas e figuras como Luís Amado, que incarnam ambas as condições. Foi trabalho precioso porque pela primeira vez o Parlamento aprofundou uma matéria sempre considerada demasiado técnica para um escrutínio político rigoroso. Resultado: ficámos com uma das faturas mais elevadas da Europa, um país recordista de pobreza energética, que muita gente pobre tem pago com a vida no pino do verão e no pico do inverno.