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Mariana Mortágua

Novo Banco: António Costa descobriu a pólvora?

Já a noite ia longa, no dia 13 de maio, quando o primeiro-ministro, através das suas redes sociais, procurou pôr um ponto final na polémica dos últimos dias. Tudo começou na semana anterior, quando António Costa garantiu a Catarina Martins que o Estado não transferiria mais recursos para o Novo Banco sem conhecer o resultado das auditorias em curso. Acontece que, no momento dessas declarações, a ordem de transferência de 850 milhões já tinha sido dada pelo ministro das Finanças Mário Centeno. O primeiro-ministro pediu desculpas pela informação errada, mas a novela arrastou-se, com Mário Centeno a alegar o mero cumprimento de uma obrigação contratual e que as operações do banco tinham sido suficientemente auditadas. A partir da noite de 13 de maio, em que Costa e Centeno estiveram reunidos, esse voltou a ser também o discurso do primeiro-ministro, que deu o dito por não dito. De um dia para o outro, todo o Governo voltou à narrativa que mantém desde a entrega do Novo Banco ao fundo Lone Star, garantindo que foi a solução "possível", e que os interesses do Estado foram acautelados.

Mariana Mortágua

O lugar marcado de Mário Centeno

Duas em cada três pessoas que se sentam no Conselho de Administração do Banco de Portugal (BdP) vêm dos bancos, ou seja, do setor regulado. O caso mais notório é o de Carlos Costa, que transitou do BCP (onde estava no tempo do escândalo dos offshores) para a Caixa, da Caixa para o Banco Europeu de Investimentos, para depois ser nomeado governador do BdP. Nunca desempenhou cargos públicos, mas isso não o impediu de proteger o Governo de Passos Coelho no tempo da resolução do BES. Meses mais tarde, já depois de a Comissão de Inquérito ao BES ter feito duras críticas à atuação do BdP, foi reconduzido pelo mesmo Passos Coelho. Desde então, manteve-se como governador, apesar do conflito de interesses que o levou a pedir escusa no processo recente da Caixa, e imune a todas as polémicas. Isto porque o Banco de Portugal goza de um regime de exceção que, a pretexto de uma suposta "independência" do poder político, abre espaço a todas as dependências face ao próprio setor bancário.

Mariana Mortágua

Onde param os admiradores portugueses de Bolsonaro?

Tudo se passou há menos de dois anos. Paulo Portas, já comentador, não via nada "eticamente reprovável" em Bolsonaro e considerava exageradas as acusações de ultraliberalismo. Nuno Melo, sempre enraivecido, desdobrou-se na defesa de Bolsonaro. Assunção Cristas não via diferenças entre o candidato democrático Haddad e este extremista de Direita. Santana Lopes chegou ao ponto de escrever-lhe uma carta de felicitações pela eleição. Carlos Peixoto, deputado do PSD, estava certo que o exercício do poder levaria Bolsonaro "à moderação e ao pragmatismo". Luís Nobre Guedes, do CDS, declarou que, se pudesse, votaria nele. André Ventura, do Chega, encantava-se com "essa frescura de pensamento que os liberais ocidentais podiam aprender com Bolsonaro".