Mariana Mortágua

Dois anos para fazer o que ainda não foi feito

O PSD e CDS juntaram-se, na última legislatura, em torno de um projeto para o país. Dirão que governaram com um programa alheio - o da troika. Acreditar nisso seria esquecer que ambos os partidos tinham, e mantêm, a sua própria agenda ideológica neoliberal, inspiração que, aliás, partilham com a troika. Um dos elementos centrais dessa agenda é a velha ideia do "Estado pequeno", que quer deixar à lógica privada de mercado a gestão de serviços públicos.

Mariana Mortágua

Os insondáveis mistérios da estabilidade fiscal

"O Governo devia privilegiar a estabilidade fiscal, o que significa não andar a mexer nos escalões". Estas declarações de Passos Coelho são uma boa oportunidade para tentar esclarecer alguns mistérios associados à dita estabilidade fiscal. Em primeiro lugar, o mistério da relatividade. Porque é que descer o IRS através do aumento de escalões é prejudicial à estabilidade fiscal, mas reduzir o IRC, como propõe o PSD, não é? Dirão que a descida já estava prevista na reforma do IRC começada pelo anterior Governo e que foi - e bem - interrompida. Mas, então, porque é que PSD e CDS se opõem ao aumento da derrama sobre as empresas com mais lucros, tal como também estava previsto como contrapartida da segunda redução da taxa de IRC, em 2015? "Estabilidade fiscal" é, conceptualmente, afinal, muito mais do que a sua mera interpretação literal possa sugerir.

Mariana Mortágua

Desculpas? Peça-as Passos Coelho

Foi em janeiro de 2015, Passos Coelho era ainda primeiro-ministro. Durante um debate quinzenal, na sequência do descalabro do BES e da ruinosa fusão com a brasileira Oi, Catarina Martins apresentou a proposta do Bloco de Esquerda para a situação crítica que a PT vivia: juntar os votos do Novo Banco e do fundo da Segurança Social aos dos pequenos acionistas para travar a venda da PT à Altice. A resposta de Passos veio rápida e perentória: o Governo não se mete em negócios de privados. Mesmo quando os interesses dos privados são contrários aos interesses do país e dos trabalhadores? - retorquiu Catarina Martins. E a resposta manteve-se.

Mariana Mortágua

Que futuro para o legado de "Zédu"?

Amanhã, Angola vai a eleições, sabendo, à partida, que José Eduardo dos Santos não será mais presidente. Depois de 38 anos no poder, "Zédu", - o mais antigo governante do Mundo, juntamente com Obiang, da Guiné Equatorial - abandonará o seu cargo. Que Luanda albergará um novo presidente, não há dúvidas. Que a oligarquia do MPLA, que tem saqueado o país sob o comando da família dos Santos, deixará de controlar os seus destinos, isso é outra história.