Imagens

Últimas

Mariana Mortágua

O lugar marcado de Mário Centeno

Duas em cada três pessoas que se sentam no Conselho de Administração do Banco de Portugal (BdP) vêm dos bancos, ou seja, do setor regulado. O caso mais notório é o de Carlos Costa, que transitou do BCP (onde estava no tempo do escândalo dos offshores) para a Caixa, da Caixa para o Banco Europeu de Investimentos, para depois ser nomeado governador do BdP. Nunca desempenhou cargos públicos, mas isso não o impediu de proteger o Governo de Passos Coelho no tempo da resolução do BES. Meses mais tarde, já depois de a Comissão de Inquérito ao BES ter feito duras críticas à atuação do BdP, foi reconduzido pelo mesmo Passos Coelho. Desde então, manteve-se como governador, apesar do conflito de interesses que o levou a pedir escusa no processo recente da Caixa, e imune a todas as polémicas. Isto porque o Banco de Portugal goza de um regime de exceção que, a pretexto de uma suposta "independência" do poder político, abre espaço a todas as dependências face ao próprio setor bancário.

Mariana Mortágua

Onde param os admiradores portugueses de Bolsonaro?

Tudo se passou há menos de dois anos. Paulo Portas, já comentador, não via nada "eticamente reprovável" em Bolsonaro e considerava exageradas as acusações de ultraliberalismo. Nuno Melo, sempre enraivecido, desdobrou-se na defesa de Bolsonaro. Assunção Cristas não via diferenças entre o candidato democrático Haddad e este extremista de Direita. Santana Lopes chegou ao ponto de escrever-lhe uma carta de felicitações pela eleição. Carlos Peixoto, deputado do PSD, estava certo que o exercício do poder levaria Bolsonaro "à moderação e ao pragmatismo". Luís Nobre Guedes, do CDS, declarou que, se pudesse, votaria nele. André Ventura, do Chega, encantava-se com "essa frescura de pensamento que os liberais ocidentais podiam aprender com Bolsonaro".

Mariana Mortágua

O provedor da precariedade no Tribunal Constitucional?!

Na semana passada o PS fez conhecer os dois nomes que indicará para o Tribunal Constitucional. Ao contrário do que aconteceu na anterior legislatura, desta vez o PS dispensou a consulta daqueles a quem chama parceiros, ignorando qualquer negociação com os partidos à sua esquerda. A nomeação, a confirmar-se, resultará na redução da presença de mulheres, mas, além disso, na entrada de Vitalino Canas no Tribunal Constitucional.