Guimabus contesta multa de 88 mil euros por não apresentar auditorias externas

Foto: Rui Dias
Depois de, na reunião de Câmara de 22 de dezembro, ter sido aprovada a aplicação de coimas à Guimabus, no valor de 88 mil euros, a empresa veio, esta quinta-feira, queixar-se de uma atuação que "viola princípios de boa-fé, cooperação institucional e proporcionalidade" e de o Município ter atuado sem qualquer aviso que permitisse corrigir as situações apontadas. A empresa reclama também o pagamento de uma compensação financeira no âmbito de um reequilíbrio económico-financeiro do contrato.
Em comunicado, a Guimabus afirma que recebeu, a 5 de setembro de 2025, cinco ofícios referenciando alegados incumprimentos. "A resposta foi enviada a 19 de setembro, com esclarecimentos detalhados, documentação de suporte e propostas de regularização", refere a empresa que opera a concessão de transporte público no concelho desde janeiro de 2022.
A contestação da concessionária centra-se no facto de, na sua opinião, as multas não terem sido antecedidas de qualquer notificação formal, aviso ou interpelação que permitisse corrigir ou esclarecer as situações apontadas. A empresa considera que "esta atuação viola princípios de boa-fé, cooperação institucional e proporcionalidade que devem reger os contratos públicos".
Para a Guimabus é "estranho" que o Município, em 2025, aplique sanções relativas a alegados incumprimentos dos anos de 2022, 2023 e 2024, sem que, durante esse período, tenha sido instaurado qualquer procedimento sancionatório efetivo ou sinalizado um incumprimento grave ou reiterado. Relativamente às auditorias em falta, que motivaram as multas, a Guimabus garante que quando foi formalmente confrontada com a exigência, diligenciou junto da Universidade do Minho para a sua realização. Segundo a concessionária, estes trabalhos devem estar prontos no início de deste ano e isso já terá sido comunicado à autarquia.
Multas pesadas
A Guimabus informa também que já deu acesso ao sistema de apoio à exploração, que era outra das razões invocadas para as coimas. A empresa esclarece que era seu entendimento que este acesso carecia de um pedido técnico concreto. A transportadora considera excessivos os valores das multas. "O contrato permitiria a aplicação do valor mínimo de cinco mil euros por infração, o que totalizaria 25 mil euros" e não os valores máximos que foram usados.
Sete dos oito processos que deram origem às coimas aplicadas à Guimabus, por decisão unânime do executivo da Câmara de Guimarães, transitaram do anterior mandato. A Guimabus considera "grave" o facto de a decisão ter ocorrido em período pré-eleitoral e de ter deixado ao novo executivo municipal um processo já decidido (em outubro a liderança da Câmara transitou do PS para uma coligação PSD/CDS).
Compensação em falta
A concessionária revelou que está a aguardar, desde 2023, o pagamento de uma compensação financeira no âmbito de um pedido de reequilíbrio económico-financeiro do contrato, motivado pelo aumento excecional dos custos com pessoal e pelos elevados custos com combustíveis, registados em 2022. A Guimabus lembra ainda o investimento de 20 milhões de euros para a eletrificação total da frota. A empresa afirma que este esforço financeiro teria como compensação um acordo de prorrogação da concessão, embora o contrato nunca tenha sido formalmente assinado.

